World Press Photo mostra em Lisboa imagens de 'acontecimentos poderosos' de 2014

World Press Photo mostra em Lisboa imagens de 'acontecimentos poderosos' de 2014
Alguns dos acontecimentos mais marcantes de 2014, como a crise na Ucrânia, a atuação do Estado Islâmico e a presença do vírus Ébola, dominaram o concurso World Press Photo, cuja exposição com as fotografias vencedoras está patente em Lisboa.
 
No Museu da Eletricidade estão, a partir de hoje, as fotografias premiadas, reflexo da cobertura jornalística do que se passou no mundo em 2014 com recursos a vários meios para lá da lente tradicional. Há imagens premiadas captadas com telemóveis, câmaras microscópicas e através de "drones".
 
À entrada do museu, a primeira imagem que se vê é a fotografia distinguida com o Grande Prémio World Press Photo: o retrato íntimo de um casal homossexual, num quarto em São Petersburgo, na Rússia, feito pelo dinamarquês Mads Nissen.
A fotografia diz respeito à situação de perseguição e discriminação que a comunidade de lésbicas, homossexuais, bissexuais, transsexuais e trangéneros sofre na Rússia. "O júri gostou do trabalho por causa do tema e por tudo o que está por detrás", disse hoje o comissário da exposição, Jure Hansen, numa visita guiada.
 
Aos fotógrafos e jornalistas é-lhes pedida honestidade e verdade, quando se candidatam aos prémios da World Press Photo, independentemente das técnicas e recursos utilizados: "Não se pode acrescentar ou tirar nada de uma fotografia", disse.
 
Este ano, o concurso internacional ficou marcado por uma polémica, com um dos trabalhos vencedores na categoria "Temas contemporâneos", assinado por Giovanni Troilo, a ser desqualificado por não ter cumprido as regras e porque as fotografias em causa não correspondiam à realidade.
 
Questionado pela Lusa sobre o impacto dessa desqualificação na própria organização dos prémios, Jure Hansen afirmou que o que o fotógrafo italiano fez foi "inaceitável" e que não se enquadra nos padrões de qualidade da World Press Photo.
 
"Estamos sempre em debate com a indústria e o World Press Photo ajuda a indústria, até porque as diferentes práticas [da fotografia e do fotojornalismo] mudam e ajustam-se", disse. Mas aos profissionais que concorrem é-lhes exigido, pelo menos, que não mintam, sublinhou.
 
Nas paredes da exposição World Press Photo há trabalhos que registam, em diferentes escalas e perspetivas, acontecimentos globais e particulares da vida no planeta.
 
Pela primeira vez, o concurso distinguiu reportagens de fundo, feitas ao longo de vários anos, como a que a fotógrafa Darcy Padilla realizou, entre 1993 e 2014, acompanhando a vida privada e a degradação física de Julie, uma mulher toxicodependente, até à morte.
 
Nas diferentes categorias do concurso, há fotografias sobre a propagação do vírus Ébola em África, sobre uma escola religiosa para transexuais na Indonésia, sobre a banalidade da vida quotidiana de uma cidade japonesa, sobre os enforcamentos públicos no Irão ou as perigosas viagens de imigrantes no Mediterrâneo.
 
Há fotografias tiradas com telemóveis, como a que Ronghui Chen fez numa fábrica de artigos de natal, na China, e outras captadas com recursos a drones, por Tomas Van Houtryve.
O rosto de uma rapariga no meio dos protestos de 2014 em Istambul, o corpo de um passageiro num campo de trigo, de um avião que caiu na Ucrânia, e os objetos pessoais e roupa de algumas das crianças raptadas pelo grupo Boko Haram são outras fotografias premiadas que se destacam na exposição.
 
Lisboa é uma das primeiras cidades a acolher a exposição, que ficará no Museu da Eletricidade até 24 de maio.
 
Ao concurso do World Press Photo concorreram 97.912 fotografias, de 5.692 fotojornalistas e fotógrafos de 131 países.