Volta a Portugal: Pfingsten, do ciclocrosse para a amarela em Lisboa

Volta a Portugal: Pfingsten, do ciclocrosse para a amarela em Lisboa

Irregular e traiçoeiro, o piso empedrado do prólogo da Volta a Portugal em bicicleta provocou alguns receios, mas o alemão Chistophe Pfingsten (De Rijke-Shanks), habituado à exigência do ciclocrosse, não se encolheu e vestiu a camisola amarela em Lisboa.
Eram só cinco quilómetros de contrarrelógio por equipas, correspondentes a outras tantas voltas a um circuito desenhado entre o Rossio e os Restauradores, que oferecia alguns perigos, mas foram os suficientes para a formação holandesa De Rijke-Shanks deixar as portuguesas Efapel-Glassdrive (8.ª) e LA-Antarte (9.ª) a 11 segundos. As restantes fizeram ainda pior.
Dos corredores lusos, Fábio Silvestre é o melhor classificado, ocupando o quinto posto da geral, a dois segundos do líder, por via do segundo lugar da sua equipa, a luxemburguesa Leopard-Trek, num “crono” em que a francesa Sojasun terminou em terceiro.
Algumas equipas portuguesas lamentaram a escolha do percurso, pelos riscos que acarretava o piso empedrado do Rossio, e talvez se tenham resguardado, não querendo deitar por terra todas as ilusões praticamente antes de começar a 75.ª edição da Volta. A De Rijke-Shanks não se poupou e Christophe Pfingsten também não.
Vice-campeão do Mundo de ciclocrosse sub-23 em 2009, o alemão não se intimidou com a “ameaça” do piso e alcançou o primeiro triunfo da temporada e mais importante da sua carreira em estrada, depois de cruzar a meta com o tempo de 6.39 minutos, à média de 45,113 km/hora.
“Tive bons resultados, mas esta é a minha primeira vitória da temporada. Foi importante para a equipa, mas tenho de reconhecer que para mim, vestir a amarela, é muito bom. Não tenho nada a dizer do percurso. Tenho uma vitória, portanto para mim foi perfeito. Era um circuito muito técnico, bom para o público”, disse Pfingsten, de 25 anos, que passou a meta acompanhado apenas por dois colegas, os holandeses Bas Stamsnijder, segundo, e Kobus Hereijgers, terceiro, posição que marcava o tempo das equipas neste “crono” coletivo.
O mesmo sucedeu com a Leopard-Trek, que gastou mais dois segundos, com Sean de Bie, Fábio Silvestre e Jesus Ezquerro a saltarem para a quarta, quinta e sexta posições da geral, a dois segundos dos vencedores, e à frente de três homens da Sojasun – Yannick Talabardon, Fabrice Jeandesboz e Jean-Lou Paiani – que chegaram com mais três segundos.
É preciso descer um bom bocado na classificação geral para encontrar o primeiro elemento de uma equipa portuguesa. Filipe Cardoso (Efapel-Glassdrive) é o 31.º, a 11 segundos do líder, tal como os colegas Rui Sousa, Hernâni Broco e Arkaitz Duran, três dos favoritos da prova, à semelhança de Hugo Sabido (LA-Antarte), que surge um pouco mais atrás.
A Efapel foi, no entanto, vítima de algumas atribulações. Não fosse o problema mecânico na bicicleta de Duran e o susto de Broco, que deu um toque num colega, bateu com o joelho na bicicleta e com o peito no guiador, e a equipa de Gaia teria provavelmente lutado pela vitória no prólogo.
Como disse o seu diretor desportivo, Carlos Pereira, “estes 11 segundos são perfeitamente recuperáveis”, mas as equipas da casa perderam a oportunidade de chamar a si a desejada camisola amarela já a caminho da primeira etapa, a mais longa da prova, que na quinta-feira vai ligar Bombarral a Aveiro, na extensão de 203,3 quilómetros.