Victor Espadinha festeja 55 anos de carreira

Victor Espadinha festeja 55 anos de carreira
O ator e cantor Victor Espadinha, intérprete de “Recordar é Viver”, celebrou 55 anos de carreira, na passada sexta-feira, no Lounge D do Casino Estoril, onde apresentou um espetáculo inspirado no álbum “Canções de Uma Vida”.
 
“Estreei-me em 1962, no Teatro Avenida, em Lourenço Marques [atual Maputo], numa companhia dos atores Henrique Santos e Carmen Mendes, que estava em digressão, era eu um jovem inconsciente. Fiz parte do ‘Sarau Vicentino’, onde entrei como pai Vaz no Auto de Mofina Mendes”, disse Victor Espadinha, em entrevista à agência Lusa.
 
No espetáculo no Estoril, além de canções como “Recordar é Viver”, “Gato-Sapato”, “Palhaço até ao Fim” e “Companheira”, Espadinha estreou quatro novas canções, entre as quais “Como Eu Gosto de Ti”, de sua autoria, com música de Sidu Fernandes, e “Serena”, de Tozé Brito.
 
A estreia em 1962 foi paralela à carreira de radialista e jornalista em que se iniciava. “Nessa altura trabalhava na Rádio Clube de Moçambique e no jornal A Tribuna, do famoso António Reis”. Voltou a tentar a carreira jornalística, em Lisboa, na década de 1960, no Diário Popular, dirigido por Francisco Pinto Balsemão, tio do atual presidente do Grupo Impresa.
 
O sonho de Victor Espadinha, nascido há 77 anos em Lisboa, foi sempre o teatro, apesar de se ter multiplicado noutras profissões, em Moçambique, na antiga Rodésia do Norte (atual Zâmbia), no Reino Unido e em Portugal.
 
“Sempre, desde miúdo, só queria teatro, eu só queria fazer teatro, ser ator. Eu era as outras coisas todas, porque não conseguia ser ator”, disse.
 
Em 1966 estreou-se profissionalmente numa comédia protagonizada por Eunice Muñoz, “Deliciosamente Louca”, com Ruy de Carvalho, Rogério Paulo, Clara Rocha e João Perry, que estava em cena no Teatro Villaret. “Fui substituir o grande ator José de Castro, que ia fazer uma peça para o Nacional. E há tempos perguntei à Eunice [Muñoz] porque me tinha escolhido, e ela respondeu-me: ‘Porque eras muito mexido'”, contou.
 
O instinto de sobrevivência guiou-o sempre, daí ter sido repórter na ex-Rodésia do Norte, de onde ganhou credenciais para ir para Londres, onde trabalhou com o realizador de rádio David Davies (1908-1996), vindo anos mais tarde a pôr em prática, no então Rádio Clube Português, o que viu e aprendeu, e que o leva a referir-se como “o primeiro DJ português”.
 
“Ajudava-o, ia buscar-lhe os cafés, mas vi e aprendi muito com o David Davis. E quando aqui cheguei, fiz tudo diferente, causei polémica, chamei a atenção, porque fiz diferente e trouxe outras músicas”, contou.
 
Em entrevista à agência Lusa, o artista afirmou que “deitou mão a tudo”. “Quando era preciso alguém para escrever umas coisas, lá ia eu”. Espadinha desempenhou funções como as de “croupier”, inspetor de jogo no clube Playboy, em Londres, entretanto já encerrado, entre outras atividades.
 
Na capital britânica estudou teatro, tendo ficado amigo do ator Alain Cumming, que faz parte do elenco da série televisiva “The Good Wife”, em exibição, e chegou a subir ao palco, no West End.
 
O empresário teatral Vasco Morgado (1924-1978), depois do 25 de Abril de 1974, conseguiu convencê-lo a voltar para Portugal. Espadinha fez parte do elenco de "Mostra-me a tua piscina", de Jean Letraz, encenada por Alexandre Doré (1923-2002), que esteve dois anos em cena no Teatro Capitólio, em Lisboa.
 
Espadinha intermediou os contactos entre Doré e Vasco Morgado, que julgava não ter verba para pagar ao encenador, que acabou por aceitar, “pela vontade de conhecer Lisboa”, contou.
 
O fim do regime ditatorial, com a sua “censura, a pressão e a moral pequenina”, levou Victor Espadinha a querer regressar e, depois do êxito de bilheteira no Capitólio, participou noutro sucesso, “A Curva Perigosa”, de J.B. Priestley, protagonizada por Alina Vaz e Jacinto Ramos.
 
“Bem, depois estive mais de 30 anos, todas as noites a fazer teatro”, sintetizou.
 
Do teatro orgulha-se de ter trabalhado “com alguns dos maiores nomes”, nomeadamente Ivone Silva, Ribeirinho, Maria Dulce, Barroso Lopes, José Viana - que o levou para o teatro de revista -, entre muitos outros.
 
No cinema participou “em pequenos papéis”, em Inglaterra e na ex-Rodésia do Norte. Em Portugal, foi com o realizador José Fonseca e Costa (1933-2015) com quem mais trabalhou, nomeadamente em “Viúva Rica, Solteira não Fica” (2006).
 
Na televisão participou em várias séries, a mais recente “Os Malucos do Riso” (1997-2011).
 
No Casino Estoril, Victor Espadinha fez parte dos elencos de cinco espetáculos, entre 1987 e 1992, designadamente, “Cabaret”, “1002 Noites”, "Showperman”, “Yellow Showmarine” e “007. Ordem para Jogar”, que “esgotaram, sucessivamente, o Salão Preto e Prata”, segundo este espaço de lazer.
 
Na sexta-feira à noite, Victor Espadinha partilhou o palco com Renato Silva Júnior (piano e teclas), Mário Jorge (guitarra), Nelson Oliveira (baixo), Paleka (bateria), Raquel Jorge (voz) e Angélica Alma-Ata (guitarra e voz).