Utentes querem EMEL mais tolerante e mais adaptada aos habitués

Utentes querem EMEL mais tolerante e mais adaptada aos habitués

O território da freguesia lisboeta de Nossa Senhora de Fátima concentra um descontentamento “acima da média” com os serviços da Empresa Municipal de Estacionamento: residentes e utentes querem uma EMEL “mais tolerante” e mais adaptada às necessidades e às carteiras dos ‘habitués’.
No Primeiro Inquérito de Satisfação e Mobilidade do Cliente EMEL – realizado pela empresa, e a que a Lusa teve acesso – esta freguesia está entre as zonas prioritárias de intervenção. A dificuldade de estacionamento, por parte de residentes e outros utentes, e a insatisfação com os serviços prestados pela EMEL, também por residentes e utentes, lê-se, estão “acima da média”.
O estudo diz que, em termos globais, apenas 40 por cento dos residentes inquiridos estão satisfeitos com os serviços da empresa. Do lado dos comerciantes, o número é menor: apenas 29 por cento dos inquiridos estão satisfeitos (27 por cento) ou muito satisfeitos (dois por cento).
Entre a gincana para estacionar, a chuva de moedas nos parquímetros e a que caía na calçada, os utentes regulares disseram à Lusa que, embora compreendam a função da EMEL, gostavam de sentir mais tolerância por parte dos fiscais, e de ter ofertas mais adequadas às suas necessidades e às suas carteiras.
Pedro Carvalho, agente imobiliário, contou à Lusa que já foi multado “por três minutos”. É um utilizador regular do estacionamento pago em toda a cidade, e gostava de sentir mais “condescendência”.
Esse episódio, que resultou de um atraso enquanto mostrava uma casa a potenciais clientes, terminou com mais de oito euros de multa, e “mesmo com um recibo no carro, mesmo com o carro identificado” com o nome e logótipo da imobiliária.
“Não é fácil. São pouco condescendentes. E penso que a EMEL podia arranjar um produto mais maleável e mais económico para quem trabalha. Não estamos a fazer turismo, não andamos a ver montras, e precisávamos de uma ajudinha da parte deles”, defendeu.
Também para Vera Abreu, empresária e trabalhadora-estudante, a EMEL devia criar “uma tarifa mais barata para os clientes permanentes”. Embora resida em Carnaxide, esta estudante de Antropologia desloca-se todos os dias à capital. É “obrigada” a deslocar-se de carro porque anda “sempre a correr”, e porque aproveita as deslocações a Lisboa para resolver questões de trabalho. Por dia, gasta, em média, quatro euros em estacionamento.
“Tal como há um dístico para residentes, poderia haver para as pessoas que trabalham ou que estudam na zona uma tarifa mais barata. Somos clientes permanentes, fidelizados sem querermos. Podia haver essa gentileza”, defendeu.
Para além disso, diz, o tempo máximo de estacionamento permitido junto à Universidade – duas horas na zona vermelha, quatro na zona amarela – não chega para os dias em que tem duas aulas seguidas: “Estou sempre preocupada. Às vezes estou na aula, faltam dez minutos, e eu digo ‘pronto, chego’ ao carro e já tenho o envelope amarelo. Às vezes por um quarto de hora tenho multa. Devia haver uma maior flexibilidade”, acrescentou.
O balcão do quiosque de Vítor Nascimento, na avenida Elias Garcia, é uma espécie de plateia para “diversas” e “diárias” cenas de multas. Este comerciante percebe que os agentes estejam a executar uma função que lhes foi atribuída por superiores, mas considera que eles são “rigorosos demais”. Por vezes, diz, “basta que passem dois ou três minutos”, e a multa sai para o envelope.
Mesmo ele já foi multado. Tem o carro sempre perto e, confessa, anda “sempre a fugir à multa”. Nos tempos em que vinha a Lisboa diariamente, diz, chegava a gastar entre 200 e 250 euros por mês em estacionamento. 
O seu dístico de comerciante está retido numa burocracia: “O carro está em meu nome, o quiosque em nome da minha mulher, e, mesmo sendo nós casados, para a EMEL isso é muito complicado. Não tenho sequer acesso a um parquímetro mais barato”, lamenta.