UNESCO analisa em 2014 candidatura da Arrábida a Património da Humanidade

UNESCO analisa em 2014 candidatura da Arrábida a Património da Humanidade

A análise da candidatura da Arrábida a património natural e cultural da humanidade está agendada para a reunião do comité da UNESCO em 2014, disse a presidente da Comissão Nacional do organismo, destacando que a candidatura está bem encaminhada.
“A sua análise está agendada para a reunião do Comité de 2014. (…) Eu posso assegurar que esta candidatura é já um sucesso pelo trabalho dos seus promotores”, disse a embaixadora Ana Martinho, destacando que esta é “a primeira candidatura mista de um bem natural e cultural”.
Ana Martinho salientou ainda que Portugal já tem 14 bens inscritos na lista de património mundial e 12 inscritos na lista indicativa nacional (de bens que poderão ser candidatos) e que ainda este mês será analisada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) a candidatura da Universidade de Coimbra, Alta e Rua da Sofia, em Coimbra.
A embaixadora Ana Martinho falava numa sessão para dar a conhecer o património natural e cultural da Arrábida e o trabalho desenvolvido no âmbito da sua candidatura a Património Mundial, uma iniciativa da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, na Assembleia da República, para assinalar o Dia Mundial do Ambiente.
Em declarações à Lusa, Alfredo Monteiro, da Comissão Executiva da Candidatura da Arrábida a Património Mundial e também presidente da câmara do Seixal, destacou que “o primeiro passo para a aprovação da candidatura está dado”, com a admissão do ‘dossier’ pela UNESCO.
“Significa que o ‘dossier’ está bem constituído, que responde em relação aos requisitos e que está fundamentado. Não é a apreciação final, mas é um passo significativo”, realçou, acrescentando que “o comité aceita as candidaturas com base na fundamentação científica de um conjunto de dez itens que justifiquem a sua excecionalidade, dos quais a Arrábida preenche vários”.
Agora, o passo seguinte é a visita, em setembro, de um conjunto de peritos da Unesco, que virá à Arrábida verificar no local se os requisitos da candidatura são realmente cumpridos, e será este grupo que fará o relatório para análise pelo Comité, no início de 2014, explicou.
“Temos muita fé, muita esperança, pelo valor excecional da Arrábida, mas também pelo processo, porque foi um processo de envolvimento e esta não é uma questão qualquer. Aliás, o fruir de um bem que é património e será património da Humanidade tem de ser, em primeiro lugar, vivido pelas pessoas que lá estão, pelas populações, pelas instituições. Nos tempos tão difíceis que estamos a viver precisamos de encontrar autoestima e também ajuda ao desenvolvimento. Precisamos de encontrar resposta para as pessoas, desenvolvimento económico, criação e riqueza e emprego”, afirmou.
A Arrábida concorre nos critérios IV (património arquitetónico), VI (tradições e lendas), VII (fenómenos naturais e beleza notáveis), VII (exemplo de grande estádio da história da Terra), IX (pela sua vegetação excecional) e X (habitat de espécies ameaçadas).
Portugal é candidato a um lugar no Comité da Unesco no mandato 2014/2017 e, se o conseguir, poderá pronunciar-se sobre todas as candidaturas a património mundial submetidas nesse período, excluindo as portuguesas.