Transportes, saúde e recolha do lixo são os sectores mais afectados pela greve geral

Os transportes, a recolha do lixo e a saúde são os sectores mais afectados pela greve geral no distrito de Lisboa, com níveis de adesão muito elevados, segundo a União dos Sindicatos de Lisboa.

“Temos duas situações em particular muito fortes: a remoção do lixo, que está praticamente paralisada, e o sector da saúde”, disse Libério Domingues, coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa, afecta à central sindical CGTP.

De acordo com o sindicalista, os enfermeiros e auxiliares dos hospitais em Lisboa, nomeadamente do Hospital da Estefânia e da Maternidade Alfredo da Costa aderiram em massa à greve geral.

Nos transportes, “o Metro encerrou, a CP [comboios] está com uma paralisação muito forte, a adesão na Carris [autocarros] está um pouco acima do que é normal e a TAP [aviação] está com metade dos voos cancelados”, afirmou.

No sector privado, Libério Domingues disse que algumas empresas da zona de Lisboa também estão a registar elevados níveis de adesão, como, por exemplo, a Central de Cervejas e a Sotancro.

“Está a registar-se uma forte adesão à greve. Estamos satisfeitos com os resultados obtidos”, concluiu.

Contactado pela Lusa, Vítor Reis, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, especificou que na limpeza urbana “deveriam ter saído 121 carros e só saíram dois”.

“Nas oficinas de manutenção mecânica apenas um dos 122 trabalhadores se apresentou ao trabalho e no Regimento dos Sapadores Bombeiros há uma adesão de 80%”, afirmou.

Segundo o sindicalista, na EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural também há muitos trabalhadores em greve, o que obrigou ao encerramento de vários monumentos.

O Castelo de São Jorge, o Museu do Fado, o Teatro de S. Luiz, o Teatro Maria Matos, o Padrão dos Descobrimentos, a Casa Fernando Pessoa e o Museu das Marionetas são alguns dos monumentos encerrados, indicou.

A greve geral de hoje, de 24 horas, foi convocada pela CGTP em protesto contra o agravamento das políticas de austeridade e em defesa de políticas alternativas que favoreçam o crescimento económico.

O protesto conta ainda com a adesão de 28 sindicatos independentes, bem como com a participação de cerca de 30 sindicatos da UGT, embora esta estrutura se tenha demarcado da paralisação.

A Confederação Europeia de Sindicatos convocou uma Jornada de Luta Europeia para hoje num protesto contra as medidas de austeridade em vários países da Europa, prevendo-se protestos também noutros países europeus, como Espanha e Grécia.