Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa apreensivos à espera da Volkswagen

Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa apreensivos à espera da Volkswagen
A Coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa está "apreensiva", mas espera que a fraude nos veículos do grupo alemão Volkswagen não trave os investimentos em curso na fábrica de Palmela.
 
"Estamos a viver este momento com alguma apreensão e a aguardar com grande expetativa as decisões que deverão ser hoje anunciadas pela Volkswagen, mas acreditamos que o investimento em curso na Autoeuropa irá prosseguir, porque já está numa fase adiantada", disse hoje Daniel Bernardino, da Coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa, à Lusa.
 
"Estamos a falar de um investimento de 677 milhões de euros, para dotar a fábrica da Autoeuropa de uma plataforma que lhe permitirá construir qualquer modelo do grupo alemão", salientou Daniel Bernardino.
 
Convicto de que a Volkswagen não irá travar as mudanças em curso na fábrica de Palmela, Daniel Bernardino lembrou, no entanto, que uma decisão contrária e/ou a não atribuição de um novo modelo para produção a partir de 2017, como está previsto, poderia ter consequências dramáticas para os 3.500 trabalhadores da Autoeuropa, mas também para muitos trabalhadores de outras empresas.
 
"Há cerca de 20.000 trabalhadores que dependem do Parque Industrial da Autoeuropa", justificou Daniel Bernardino, lembrando que, além das empresas fornecedoras instaladas do Parque Industrial, com cerca de 1.600 postos de trabalho, há muitas outras que dependem da fábrica da Volkswagen em Palmela.
 
O novo presidente do grupo Volkswagen, Matthias Müller, anunciou na terça-feira que a empresa vai rever todos os investimentos previstos e "cancelará ou adiará os que não sejam estritamente necessários" após o escândalo da manipulação das emissões poluentes.
 
"Serei muito claro: isto vai ser doloroso", disse Mathias Müller perante cerca de 20.000 trabalhadores reunidos na sede central de Wolfsburgo, na primeira assembleia convocada desde que rebentou o escândalo da manipulação dos motores a gasóleo em 11 milhões de veículos das marcas Volkswagen, Audi, Skoda e Seat.
 
O grupo Volkswagen detém em Portugal a fábrica da Autoeuropa onde são produzidos os modelos Volkswagen Eos, Scirocco e Sharan e Seat Alhambra e anunciou em março de 2014 um investimento de mais de 670 milhões de euros e a criação de mais de 500 postos de trabalho para o período entre 2014 e 2019.
 
O grupo Volkswagen vai hoje apresentar um plano calendarizado para sanar a questão da manipulação das emissões de gases poluentes, iniciando assim a recolha à oficina de 11 milhões de veículos em todo o mundo.