Trabalhadores da Panrico vão manifestar-se a 29 de junho em frente à fábrica de Sintra

Trabalhadores da Panrico vão manifestar-se a 29 de junho em frente à fábrica de Sintra
Os trabalhadores da fábrica da Panrico em Mem Martins, Sintra, decidiram hoje em plenário convocar uma manifestação em frente da unidade fabril, para exigir a reposição do pagamento dos valores pelo trabalho aos feriados, informou fonte sindical.
 
Segundo Tiago Cardoso, dirigente sindical, no plenário realizado na fábrica de Mem Martins, foi decidido convocar "uma manifestação à porta da empresa, no dia 29 de junho, derivado ao desagrado que existe pelo não pagamento do trabalho extraordinário em dia feriado e a revolta pelo que se tem vindo a passar com processos disciplinares e condutas de assédio moral".
 
O dirigente do Sintab - Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, adiantou que no plenário participaram "cerca de 58 trabalhadores", dos 125 que a Panrico emprega na área fabril, e que a luta se prolonga desde "há três anos", quando o trabalho ao feriado deixou de ser pago a 200% e se mantém remunerado em 50%.
 
A Panrico, empresa de origem espanhola propriedade do fundo de capital de risco norte-americano Oaktree, encontra-se em processo de aquisição pela mexicana Bimbo por 190 milhões de euros, através da sua subsidiária espanhola Bakery iberian Investments.
 
A empresa possui duas fábricas em Portugal, entre as quais a unidade na zona industrial de São Carlos, em Mem Martins, e sete em Espanha, produzindo pão e bolos das marcas Donuts e Bollycao.
 
A venda ao grupo Bimbo, que não envolve o negócio do pão de forma, encontra-se em processo de avaliação pela Autoridade da Concorrência.
 
"Amanhã vou montar o piquete de greve, tendo em conta que andam a substituir os grevistas no local de trabalho por outros trabalhadores", explicou Tiago Cardoso, que também trabalha na fábrica de Mem Martins.
 
O sindicalista revelou que o Sintab fez um pré-aviso de greve para todos os dias feriados do ano e lamentou que de uma reunião no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não tenha saído "rigorosamente nada".
 
"A empresa tem uma autorização de laboração contínua, que é aquilo a que eles se agarram, mas o facto é que a autorização é de 1992 e, até 2012, quando houve a suspensão do governo, o trabalho no feriado foi sempre pago a 200%", salientou Tiago Cardoso.
 
Os trabalhadores reclamam que a empresa volte a cumprir o contrato coletivo de trabalho assinado entre o Sintab e a associação patronal Ancipa, da qual a Panrico faz parte.
 
O dirigente do Sintab esclareceu que a empresa labora em três turnos diários e que a adesão à greve ao trabalho nos feriados tem sido elevada, comunicando à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) a substituição dos funcionários que optam por não trabalhar nos feriados.
 
A manifestação convocada para 29 de junho vai contar com o apoio da União de Sindicatos de Lisboa e da CGTP-IN, prevê o sindicalista.
 
A administração da Panrico não quis comentar os motivos na origem do plenário, mas uma fonte da empresa assegurou que o pagamento do trabalho nos feriados "cumpre escrupulosamente aquilo a que a lei obriga" e que existe "disponibilidade para negociar" com os sindicatos.