Trabalhadores da Panrico em Mem Martins em greve por pagamento de feriados

Trabalhadores da Panrico em Mem Martins em greve por pagamento de feriados
Os trabalhadores da Panrico, em Mem Martins, Sintra, cumprem na quarta-feira uma greve em protesto pelo pagamento pela empresa dos feriados a 50% e não a 200%, como dizem estar previsto no contrato coletivo de trabalho.
 
Em declarações à agência Lusa, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) Rui Matias disse estar em causa “a interpretação que a empresa faz da desregulação toda que existe agora relativamente ao pagamento dos feriados” e argumentou que “existe um contrato de trabalho [da pastelaria e confeitaria] que não está a ser respeitado”.
 
“Os trabalhadores não estão disponíveis para trabalhar quando eram pagos a 200% e agora a empresa quer pagar a 50% recorrendo à 'artimanha' de ter autorização para laboração contínua”, disse, avançando que o pré-aviso de greve prevê a paragem dos “cerca de 70 a 80 trabalhadores a ‘full time’ [tempo inteiro]” entre as 20:00 de terça-feira e as 24:00 de quarta-feira.
 
Contactado pela agência Lusa, o administrador financeiro da Panrico – Produtos Alimentares afirmou que a empresa está “a aplicar o que a lei prevê quer a nível do Código do Trabalho, quer do contrato coletivo”, já que se enquadra no regime de laboração contínua.
 
“É uma questão de aplicação da lei. A laboração contínua significa que o feriado acaba por ser um dia regular de laboração, que o código do trabalho prevê que seja pago em 50% ou em tempo e nós optámos pelos 50%”, esclareceu Miguel Rodrigues.
 
Considerando, contudo, estar em causa o “respeito pela contratação coletiva”, o SINTAB diz estar em análise a realização, na quarta-feira, de uma “ação à porta da empresa” com vista a uma “tomada de posição pública dos trabalhadores relativamente a esta questão”, o que “seria inédito numa empresa como a Panrico/Donuts”.
 
Depois da adesão “superior a 90%” registada na greve promovida, pelo mesmo motivo, no último feriado do 1.º de maio, o sindicato diz esperar que o mesmo aconteça na quarta-feira e diz ter já marcado plenários de trabalhadores para o dia 17, às 10:00 e às 17:00, para avaliar “que novas ações tomar”.