Suprimido é a palavra mais afixada nas estações da CP

Suprimido é a palavra mais afixada nas estações da CP
Comboio suprimido era a palavra mais lida e ouvida hoje de manhã nas estações de comboios desertas de Santa Apolónia e Benfica, onde a paralisação de revisores suprimiu a maioria das viagens de comboios programadas pela CP.
 
Ao início da manhã, Maria da Graça Teixeira, uma utente da CP, procurava o chefe da estação de Santa Apolónia para tentar obter informações sobre os comboios com circulação prevista.
 
“Queria ir para Santarém e não consigo, não há comboios”, disse em declarações à Lusa, olhando para os avisos da CP que mostravam repetidamente a palavra ‘suprimido’ no lugar onde costuma estar a hora de partida do comboio.
 
“Acho a greve uma estupidez. O meu filho veio de propósito do Canadá para ver os tios e a restante família e estou a ver que não conseguimos ir, pelo menos hoje”, afirmou em tom irritado, pegando na neta pela mão.
 
Na mesma estação, Alexandra Silva mostrava-se mais tranquila, porque ia apanhar um comboio intercidades, um dos poucos com hora de partida prevista no quadro de avisos da CP, mas apesar disso mostrou-se desagradada com os efeitos da greve nos utentes da CP, ressalvando, no entanto, que compreende os protestos dos revisores.
 
Anete Costa estava em Santa Apolónia apenas de passagem, porque costuma utilizar o metro próximo da estação de comboios, e apesar de não ter sido afetada pela paralisação destes trabalhadores, diz estar farta de greves nos meios de transporte.
 
“Neste momento, as greves só vêm afetar quem trabalha”, criticou Anete Costa, revelando que não acredita que os trabalhadores consigam obter as suas reivindicações através da greve, pois esta já se tornou numa forma vulgar de protesto dos trabalhadores.
 
Tal como em santa Apolónia, a estação de Benfica, da linha de comboios de Sintra, também estava deserta e com avisos afixados para informar a paralisação dos revisores dos comboios.
 
Vanda Lagarto aguardava a chegada do comboio e contou que já na quarta-feira se tinham registado muitos atrasos na linha de Sintra, que afetaram a ida e regresso para o local do trabalho.
 
“Poderiam fazer o protesto de outra forma. Tenho o maior respeito pelas queixas dos trabalhadores, mas assim acabam por prejudicar todos. Deveriam fazer o protesto de outra forma, porque prejudicar todos não devia ser o objetivo”.
 
Também em Benfica, Joana esperava há 45 minutos pela chegada de um comboio, sem sucesso, e contou que a greve a “afetava bastante”.
 
“Estou a sair do trabalho e tive que ir a pé e agora quero ir para casa e não sei como voltar”, contou Joana.
 
Oksana Skyrka nem sabia que havia hoje greve e depois de algum tempo de espera na estação de Benfica acabou por apanhar um táxi, lamentando uma greve que diz prejudicar apenas a vida dos trabalhadores.
 
Segundo fonte ad CP, a greve dos revisores implicou a paragem da maioria dos comboios, tendo circulado apenas 21 dos 262 programados até às 08:00, a maioria Alfa Pendular e Intercidades.
 
Os revisores da CP agendaram uma greve de dois dias para reclamar o cumprimento da decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios desde 1996.