Sintra: Rancho do MTBA valoriza 29 anos de história

Sintra: Rancho do MTBA valoriza 29 anos de história

Com o esforço conjugado de gente nova e de antigos membros que estão de regresso após vários anos de afastamento, o Rancho Folclórico Etnográfico "Os Saloios do MTBA" assinalou, este fim-de-semana, o seu 29.º aniversário num ambiente de renovada confiança no relançamento do grupo. “O rancho teve o seu apogeu nos finais dos anos 90, deixou-se vir abaixo, mas não desapareceu graças a pessoas que são credíveis e que merecem que todos agora se voltem a unir para levar a instituição, de novo, ao patamar que já teve”, salientou ao JR Rogério Miguel, de 40 anos, que foi um dos fundadores e que está de volta com intenção de apoiar no que puder. “Faço um apelo a que todos os ex-elementos voltem porque o rancho está vivo e só precisa de um pouco da ajuda de cada um – um serão por semana em prol do grupo já seria um bom contributo, além de um excelente convívio, sem dúvida”, acrescentou o antigo praticante.
Muitas pessoas acorreram ao pavilhão do MTBA para apreciarem as iniciativas organizadas no âmbito da data festiva. Dividido por sábado e domingo, o cartaz teve, desta feita, um figurino diferente. Para além das actuações – com dois ranchos folclóricos convidados (de Seia e de Alcácer do Sal) a juntarem-se ao anfitrião – foi erguida uma Feira dos Ofícios, com realização de trabalhos ao vivo, e montado um espaço expositivo, com base numa importante amostra do vasto espólio etnográfico do grupo.
O objectivo foi aproximar a população da história do rancho e da sua rica colecção de trajes e objectos originais que contam histórias do quotidiano, de labor e lazer, de outros tempos: uma capa de senhora “com mais de 150 anos”, jaquetas domingueiras de ir às festas, o fato de trabalho do carroceiro, sacos de pano de ir à feira, as mantas “que são praticamente únicas no país”, os aventais bordados de ir ao baile às quartas-feiras; mas também as brincadeiras dos miúdos de antigamente, como o arco ou o pião, as louças pintadas à mão, os candeeiros a petróleo… “O trabalho enorme que isto deu em termos de investigação etnográfica!... Não se pode deixar perder uma riqueza destas”, faz notar André Luís, presidente do rancho.