Sintra alarga discussão pública da área de reabillitação urbana do centro histórico

Sintra alarga discussão pública da área de reabillitação urbana do centro histórico

O período de discussão pública do programa estratégico da área de reabilitação urbana (ARU) do centro histórico de Sintra vai ser alargado, até ao fim de junho, mas moradores e comerciantes contestam alterações na circulação viária da vila.

Segundo um despacho do presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), perante “o interesse em incentivar a discussão pública” do programa estratégico de reabilitação urbana do centro histórico de Sintra, que terminava a 09 de junho, o período de consulta à população foi prolongado até 30 de junho.

Aproveitando uma sessão de esclarecimento, agendada para hoje, no Museu das Artes de Sintra, um grupo de moradores e comerciantes entregou um abaixo-assinado, com “mais de 700 assinaturas”, contra alterações na circulação viária na vila.

Os subscritores do documento estão “contra qualquer alteração” na circulação no centro histórico e “só depois de os parques de estacionamento entrarem em funcionamento se poderá equacionar uma alteração ao trânsito, nunca retirando a passagem de trânsito pelo centro da vila no sentido norte-sul”, lê-se no documento.

“A ARU não é trânsito, o trânsito está a ser discutido à parte, de forma autónoma”, salientou à Lusa o presidente da autarquia, em relação à proposta de alteração da circulação na vila a partir de 30 de junho.

Para Madalena Rilhas, moradora na vila, o abaixo-assinado pretende alertar a autarquia para não avançar com “alterações sem previamente haver a preocupação de criar estacionamento na proximidade”.

“A circulação diminuiria, mesmo no casco do centro histórico, se as pessoas não precisarem de cá entrar e andarem às voltas à procura de onde vão arrumar o carro”, apontou a comerciante de artesanato, que defendeu a criação de zonas de estacionamento junto ao centro histórico.

A empresária contabilizou a existência de “98 estabelecimentos na zona afetada pela alteração, incluindo três hotéis”, e avisou que “há centenas de funcionários que dependem” do turismo.

“É uma pena, o principal acesso [pela Volta do Duche], que é um ex-líbris, um cartão postal de Sintra, ficar só com uma via de circulação de saída”, lamentou Madalena Rilhas.

A autarquia pretende que o tráfego, a partir de São Pedro, se passe a fazer no sentido descendente, pela Fonte da Sabuga para quem se dirigir para a rampa da Pena, e pelo Palácio Valenças para quem quiser estacionar na Volta do Duche, que ficaria apenas com um sentido, na direção da câmara.

A medida, segundo Cátia Viegas, pretende reduzir “em 80% a circulação no centro da vila, mas para isso paga-se um custo muito elevado em termos de riscos”, relacionados com a falta de passeios para os turistas na vila e com as dificuldades para o comércio local.

A moradora e empresária preconizou que as alterações só devem avançar quando existirem alternativas de estacionamento, incluindo os dois parques periféricos, em São Pedro e na Portela.

“Ninguém nos perdoava que chegássemos ao verão e não fizéssemos nada. Não podíamos conviver com o caos de trânsito que foi o ano passado”, explicou, por seu lado, Basílio Horta.

O autarca assegurou que estão a ser estudadas “com as pessoas um conjunto de medidas, que irão ser feitas com as pessoas e não contra elas”.

“Vamos ouvir as pessoas e depois tiramos conclusões. Não quer dizer que o plano todo seja feito imediatamente. Se verificar que existem razões sérias para mudar algumas propostas, eu mudo-as”, frisou Basílio Horta, recusando, no entanto, ceder a motivações de “politiquice barata”.

A ARU vai abranger uma zona de 173,7 hectares da Vila Velha, São Pedro, Estefânea e Portela e prevê a recuperação do edificado e do espaço público e benefícios fiscais para os promotores de reabilitação urbana.

O presidente da autarquia estima que sejam investidos na ARU “cerca de 20 milhões de euros” nos próximos 12 anos, incluindo fundos comunitários