‘Sempre acreditei que ia chegar aqui’

‘Sempre acreditei que ia chegar aqui’

Luísa Sobral tem novo disco e vai apresentá-lo em Oeiras no próximo Verão.
Cantora está a ultimar pormenores do segundo disco e destaca como a música mudou a sua vida.
Muito bonita e elegante, mas ao mesmo tempo discreta e a acusar alguma timidez, Luísa Sobral esteve na apresentação da 10.ª edição do edpcooljazz, o festival que traz grandes nomes a Oeiras durante o mês de Julho. Luísa Sobral vai dividir a noite de 4 de Julho com Ana Moura, uma amiga que muito admira e acredita por isso que a noite vai ser de emoções fortes no Jardim do Palácio do Marquês de Pombal. O Jornal da Região falou com a cantora para saber o que vamos ver e ouvir daqui a alguns meses.
Percebe-se que está cheia de entusiasmo para este concerto. O que é que o público pode esperar para a noite de 4 de Julho?
Acima de tudo podem esperar um disco novo, até porque este vai ser um dos primeiros concertos em que vamos tocar o disco novo. Ainda não posso dizer o nome do CD, aliás, ainda nem escolhi o nome, tenho duas opções e vou muito brevemente optar por uma, mas por enquanto, ainda não posso revelar mais nada. Acho que vai ser um concerto que me vai dar muito prazer.
Mas também vai revisitar alguns temas antigos?
Acho que sim, até porque nós devemos algumas coisas ao público e se o público pedir, não posso dizer que não. E é engraçado ver que mesmo quando não nos apetece tocar alguma coisa, mas o público pede, nós começamos a tocar. É engraçado ver que vale sempre muito a pena, pela reacção do público.
Como define o novo disco?
É um disco que não tem muitas canções autobiográficas. Tem muitas histórias de personagens que eu criei, diferentes, mas não tem muito de autobiográfico.
O primeiro tinha essa faceta?
Sim, o primeiro tinha, até porque foi composto durante muitos anos. O primeiro disco acaba por ser sempre uma junção de músicas e canções que eu fui compondo desde sempre. O segundo disco, não. É um projecto que foi desenvolvido nos últimos dois anos e, por isso, acho que acaba por ser até um disco mais coeso. Este disco segue a linha mais do folk, foi essa a minha inspiração e deixei um bocadinho de lado o jazz. Virei-me mais para a ideia de cantautor.
A Luísa é apontada como uma das grandes revelações da música portuguesa dos últimos anos. Olhando para os últimos dois anos, desde que saiu o primeiro disco, o que é que mudou na sua vida?
Acima de tudo, o facto de eu ter passado a viver da música, que foi sempre o meu sonho: conseguir viver do que gosto de fazer.
Sempre acreditou que chegaria aqui?
Sempre. Sempre acreditei. Todos temos que acreditar que conseguimos senão não faz qualquer sentido. Eu sabia que um dia isto ia acabar por acontecer. Eu tenho objectivos anuais e até agora consegui concretizá-los sempre. Por exemplo, o meu objectivo era assinar um contrato com uma editora no fim do ano 2011, e assinei, depois era começar a tocar no estrangeiro e começámos a tocar. Portanto, eu tenho sempre objectivos e trabalho sempre para esses objectivos. Claro, que também tive sempre muita sorte, porque há pessoas que traçam objectivos e trabalham tanto como eu e não conseguem.
Sente-se uma pessoa trabalhadora?
Sim, sim, sem dúvida. É claro, que como toda a gente, acabo sempre por sentir que podia fazer mais.
Como é que o facto de passar a viver da música alterou a sua vida?
Alterou mesmo o meu quotidiano. Antes tinha que ter outro trabalho e isso não me dava tanto espaço emocional para compor. Aconteceu no primeiro ano trabalhar noutra área e isso fez com que não tivesse conseguido compor quase nada. Agora o facto de todos os dias estar em contacto com a música dá-me mais inspiração e posso pensar em todas as outras coisas inerentes à profissão: pensar como vou querer o palco, pensar nos detalhes do ‘design’, nos pequenos pormenores e eu gosto de dar atenção a tudo isso.
No edpcooljazz vai partilhar a noite com a Ana Moura e isso é algo que a deixa feliz…?
Sim. Ela é minha amiga e gosto muito dela. A Ana é uma pessoa que me faz chorar cada vez que canta. Eu fico muitas vezes arrepiada com muitas pessoas, mas a Ana tem qualquer coisa que faz emocionar e chorar. Só espero cantar primeiro que ela, senão acho que vou entrar em palco completamente desfeita. Mas acho que vai ser, sem dúvida, uma noite muito especial.