Santos e Pecadores celebram 20 anos

Santos e Pecadores celebram 20 anos

Duas décadas já passaram desde o tempo de banda de garagem. Os Santos e Pecadores estão a celebrar 20 anos de vida e o Jornal da Região marcou encontro com Olavo Bilac em Belém para um conversa sobre o passado, o presente e o futuro. Em menos de cinco minutos não foram poucos os que quiseram aproximar-se do cantor e pedir-lhe um autógrafo e ali, de olhos postos no Tejo, o vocalista reafirmou o seu verdadeiro amor à música e a este projecto que nasceu na década de 90.

Que sentimento é que fica, quando vês que passaram 20 anos?

É longe e é perto. Na verdade, parece que foi ontem, mas depois começamos a pensar e, de facto, já fizemos tanta coisa. Já vivi tanta coisa. Já fui pai. Do tempo da garagem até aqui, já mudou tanta coisa. São vinte anos: muitos CD, muitos concertos, muita estrada, muitas caras. E fica a sensação de ter conseguido concretizar o sonho de querer ser músico e isso é muito, muito agradável.

Quando aqui chegámos, houve uma série de pessoas que vieram pedir-te autógrafos. Isso incomoda-te?

Eu acho que as pessoas têm de saber onde estão e o que nós fazemos é para as pessoas. O que interessa aqui é que as nossas canções cheguem às pessoas e mais do que isso: tenham feito parte da vida das pessoas. É por isso algo que nos reconforta, ver que as pessoas nos procuram e querem um autógrafo. E é muito engraçado saber coisas destas pessoas, há quem nos conte que casou ao som da nossa música, que foi aos concertos. É bom para os dois lados.

Fazes, portanto, um balanço muito positivo deste percurso?

Completamente.

Como vês os Santos e Pecadores: És tu, é uma banda, é um filho teu, um amor acima de tudo, apenas trabalho?

Os Santos e Pecadores são uma banda. Somos seis elementos, seis cabeças pensantes. Evidentemente que se calhar o vocalista é o mais visível, mas nos Santos e Pecadores contamos todos o mesmo. No fundo, isto acaba por ser um casamento. Na verdade, há casamentos que não duram tanto. Mas fico contente quando seis jovens se propuseram a querer ser músicos e vinte anos depois ainda estão juntos. Isto sempre foi levado muito a brincar, sendo uma coisa muito, muito séria. Dá muito trabalho. Há muitas reuniões, muito trabalho de bastidores.

É mais difícil chegar ao patamar da fama ou permanecer lá?

Eu acho que é difícil tudo. É difícil fazer uma boa canção que chegue às pessoas e é difícil manter uma carreira. E sobretudo agora com esta conjuntura nacional, é cada vez mais difícil. Quando nós começámos vendia-se discos, agora não. As coisas vão mudando, mas a verdade é que para as coisas acontecerem temos que ter objectivos e temos que trabalhar. Ficar de braços cruzados nunca foi a nossa opção. Temos de estar atentos às novas tendências musicais, aos problemas das pessoas. Nós cantamos histórias em que as pessoas acabam por se identificar.

Inspiram-se na actualidade?

Inspiramo-nos nas nossas próprias histórias, nos nossos amores e desamores, em tudo, enfim.

Que falta fazer aos Santos e Pecadores?

Morreríamos logo se disséssemos que não nos faltava fazer nada. Queremos mais 20 anos.

Texto: Ana Raquel Oliveira

Foto: Filipe Guerra