Santa Casa da Misericórdia de Lisboa cria Banco de Inovação Social

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa cria Banco de Inovação Social

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e uma rede de parceiros lançam hoje o Banco de Inovação Social (BIS), uma plataforma que visa apoiar projetos de negócio apresentados por desempregados, a par de iniciativas de combate ao abandono escolar.
O BIS reúne instituições, entidades e empresas cujo conhecimento, vocação, experiência e recursos se destinam a promover a inovação social através do apoio a projetos e negócios sociais inovadores.
“É uma plataforma que associa 25 parceiros com a finalidade de promover em conjunto a inovação social através do empreendedorismo”, explicou à agência Lusa a diretora do Departamento de Empreendedorismo e Economia Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).
Maria do Carmo Marques Pinto adiantou que “a inovação social é o motor do desenvolvimento económico e social” e uma “resposta inovadora” aos problemas que persistem na sociedade e que “já não têm uma solução como tinham dantes”.
“A crise apenas veio agravar a situação, porque os Estados na Europa não têm tanta disponibilidade e a sociedade tem de organizar-se e nós temos de apoiar as soluções que nascem na sociedade”, comentou.
Para apoiar da melhor forma estas iniciativas, a SCML apelou aos parceiros que levassem para o projeto “todos os ativos, todo o conhecimento, toda a experiência, toda a rede de contactos e todas as valências” de que dispõem, no âmbito da promoção da inovação social.
   “Isso vai levar a uma nova forma de colaboração entre o Estado, as entidades do terceiro setor, as empresas e até as próprias famílias”, disse a responsável, considerando que todos têm de intervir na resolução dos problemas.
   O BIS vai lançar um programa de apoio ao empreendedorismo que assenta em dois eixos. Um deles pretende dar resposta a quatro necessidades que precisam de “soluções rápidas”: Criação de emprego, promoção do envelhecimento ativo, combate ao desperdício e ao abandono escolar, “um problema que tem vindo a agravar-se”.
“Nós aceitamos projetos que tragam uma solução a estes problemas”, salientou a responsável.
O outro eixo dirige-se às pessoas desempregadas, que estejam à procura do primeiro emprego ou tenham um trabalho precário, com o objetivo de lançarem um “micro negócio”.
“Aceitamos qualquer projeto, de qualquer âmbito, pode ser a criação de uma fábrica de aviões, um estaleiro naval ou abrir um cabeleireiro, o que entenderem. A única condição é que a pessoa esteja numa situação precária para criar o seu próprio emprego”, realçou.
Os candidatos podem apresentar os seus projetos de negócio entre 01 de maio e 01 de junho, que depois serão analisados pelo conselho operacional do BIS até 30 de junho, que irá selecionar os 30 melhores.
Os selecionados vão receber um conjunto de recomendações por parte do Banco. Se as aceitaram entram no programa e, durante 20 meses, vão receber apoio técnico, logístico, recursos humanos, apoio financeiro e formação, até que os projetos possam ser desenvolvidos e sustentáveis.
A criação do BIS, que se constitui como “o primeiro fundo de investimento social do país”, será formalizada hoje numa cerimónia que conta com a presença do provedor da SCML, Pedro Santana Lopes, e do ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares.