São Marcos: Bombeiros com missão complicada

São Marcos: Bombeiros com missão complicada

Estacionamento anárquico dificulta acção dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém.
Estacionamento anárquico e desordenado. Uma realidade sentida com particular acuidade em freguesias como a de São Marcos e que, neste caso, preocupa a Junta de Freguesia e os Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém. Para confirmar este diagnóstico e apelar ao civismo dos moradores, as duas entidades promoveram, na noite do passado dia 19, um simulacro de incêndio no n.º 99 da Avenida do Brasil, que contou ainda com a colaboração da Esquadra local da PSP. O combate ao incêndio na garagem de um edifício, com nove pisos, permitiu identificar dificuldades que seriam previsíveis numa situação real.
Se o estacionamento sem regras, como em cima de passadeiras, era visível naquela artéria central de São Marcos, o próprio parqueamento delimitado também levantou problemas. Após a chegada de duas viaturas pesadas de combate às chamas, para uma primeira intervenção no sinistro, o trânsito ficou bloqueado por se tratar de uma via com sentido único. A fila engrossou com um autocarro da Vimeca que, pura e simplesmente, impediu a passagem de um veículo auto-escada e de uma ambulância da corporação de Agualva-Cacém.
"O objectivo deste simulacro foi conseguido: demonstrar às pessoas que, numa situação real, iríamos ter problemas", sublinhou Luís Pimentel, comandante dos Bombeiros de Agualva-Cacém, que concretizou as dificuldades: "Duas das viaturas que serão primordiais, no teatro de operações, não conseguiram chegar ao local". Uma situação que resulta da realidade da freguesia, com "trânsito difícil, estacionamento caótico". Numa situação real, as dificuldades poderiam assumir contornos fatais, embora a auto-escada não fosse a única alternativa para o combate às chamas. "Nestes prédios já com alguma segurança, os incêndios, quase sempre, atacam-se por dentro, na caixa das escadas, mas nunca sabemos... por isso existem as auto-escadas para chegar junto às estruturas", salientou o responsável operacional.
Luís Pimentel frisa que, na área de influência da corporação de Agualva-Cacém, a freguesia de São Marcos é, sem dúvida, "uma das zonas mais complicadas" em termos de dificuldades de acesso, devido ao estacionamento anárquico e desordenado. "Já tivemos aqui várias ocorrências em que nos foi dificultado o acesso, precisamente, pelo mau estacionamento", reconhece o comandante, que aponta o dedo também à área mais antiga de Agualva.
Atento e preocupado, perante as dificuldades de acesso dos bombeiros, esteve o presidente da Junta de Freguesia, Nuno Anselmo, que acentuou a tónica da falta de civismo de alguns moradores. "Há carros em cima de passadeiras, viaturas mal estacionadas por todo o lado...", lamenta o autarca, que considera que, naquela zona da Avenida do Brasil, nem se justifica este comportamento dos automobilistas. Nas imediações, a escassos metros e com bom acesso pedonal, existe o parque de estacionamento do Centro Carlos Paredes, com capacidade para 200 viaturas, que constitui uma alternativa de parqueamento. Nessa mesma noite, minutos antes do simulacro, Nuno Anselmo constatou que o parque acolhia apenas meia centena de automóveis.