Roteiro de arte pública criado no Parque das Nações após investimento de 60 mil euros

Roteiro de arte pública criado no Parque das Nações após investimento de 60 mil euros
Cerca de 60 obras de arte pública no Parque das Nações, Lisboa, vão ser reabilitadas pela Câmara e pela Junta de Freguesia, num investimento municipal de 60 mil euros, integrando depois um roteiro que visa ser um novo polo turístico.
 
Os trabalhos de reabilitação já começaram, mas só hoje a Câmara de Lisboa e a Junta de Freguesia do Parque das Nações assinaram, formalmente, um acordo para a recuperação de obras de arte pública naquele bairro. O orçamento previsto foi avançado por fonte do município.
 
Presente na assinatura do acordo, que decorreu na sede da Junta de Freguesia do Parque das Nações, a vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, afirmou que se trata de “uma grande concentração de obras de arte que importa reabilitar e divulgar”, informando que é um conjunto de trabalhos de artistas portugueses e internacionais.
 
A criação de um roteiro para divulgar a arte pública existente na freguesia do Parque das Nações visa estimular “a relação do cidadão comum com a arte contemporânea”, defendeu a vereadora da Cultura, referindo que, apesar de esta arte estar no espaço público, nos jardins, nas ruas, nas praças, nas rotundas, “precisa de ser muitas vezes explicada, porque a arte contemporânea é também um exercício de atenção e de compreensão”.
 
“Será um novo polo de atração turística, porque há muitos estrangeiros que não conhecem todo este percurso e este roteiro [de arte pública no Parque das Nações]”, admitiu a autarca, explicando que será uma forma organizada de visitar e conhecer as obras de arte.
 
O presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, José Moreno, afirmou que “estas obras de arte passam despercebidas para muitos moradores e residentes, que nem sequer conhecem”.
 
Em relação à degradação das peças de arte pública, José Moreno explicou que, “ao longo dos anos, não houve manutenção e, como é natural, pela qualidade dos materiais que muitas delas são feitas, deterioram-se com muita facilidade e implicam de facto uma vigilância muito grande em torno do seu estado”.
 
O vice-presidente da Câmara de Lisboa e vereador das Estruturas de Proximidade e Gestão da Mobilidade, Duarte Cordeiro, também esteve presente na assinatura do acordo, mas, questionado sobre os problemas de manutenção do espaço público do Parque das Nações apontados por moradores, remeteu esclarecimentos para a assembleia de freguesia extraordinária que se realiza hoje a partir das 21:00.
 
Em comunicado, a autarquia sublinhou que o programa de arte pública do Parque das Nações é “um dos mais significativos núcleos escultóricos da cidade, com prestígio internacional” e uma importância determinante para a qualidade do espaço público.
 
A manutenção do espaço público do Parque das Nações, zona reabilitada para a Expo’98, tem sido criticada por moradores que consideram que há problemas ao nível de arranjos de exteriores, sistemas de rega e iluminação, entre outros.
 
O bairro era gerido pela sociedade pública Parque Expo, criada a propósito da Expo’98 e atualmente em liquidação, depois de o Governo anunciar, em 2011, a sua extinção.
 
Em 2012, o Conselho de Ministros determinou a transferência para o município das infraestruturas afetas ao uso público e das posições contratuais da Parque Expo relativas à gestão urbana.
 
O Parque das Nações é, desde 2013, uma freguesia autónoma, constituída a partir de território dos municípios de Lisboa e Loures. O executivo é presidido pelo movimento Parque das Nações por Nós (PNPN), que assinou recentemente um acordo de coligação com o PS, partido que lidera o município.
 
Na semana passada, concentrados à porta da junta, algumas dezenas de moradores exigiram a demissão do autarca da freguesia, José Moreno, tendo em conta o que consideram ser um desinvestimento no espaço público.