Restauro do salão nobre é novo motivo para uma visita ao Palácio da Pena

Restauro do salão nobre é novo motivo para uma visita ao Palácio da Pena

O restauro do Salão Nobre do Palácio da Pena, projeto que implicou um investimento de cerca de 262.500 Euros ao longo de três anos, está concluído e é mais um atrativo para uma vista ao monumento ex-líbris de Sintra.

O projeto, levado a cabo pela Parques de Sintra Monte da Lua, contemplou a reabilitação geral das infraestruturas, a revisão do pavimento e o restauro dos revestimentos em madeira e estuque, dos lustres, dos vitrais e do mobiliário especialmente encomendado por D. Fernando, incluindo peças em reserva e porcelanas. Com informação histórica e o apoio de consultores, procurou-se reapresentar o Salão no seu estado original. Na investigação histórica o projeto contou com análises de materiais do Laboratório José de Figueiredo (DGPC).

 

A necessidade de intervenção no Salão Nobre do Palácio da Pena era premente, dadas as condições do espaço, nomeadamente o pavimento em mau estado, os vitrais e as porcelanas com fracas condições de conservação, os estuques deteriorados e a desaparecer, o mobiliário alterado relativamente à sua cor original e as infraestruturas ultrapassadas relativamente às necessidades atuais do Palácio.

 

Alguns dos elementos mais inovadores ou originais do projeto são por exemplo o facto de ter sido necessário um mês para se encontrar a cor original das paredes através de análise cromática em laboratório; a colocação de tiras de LED no exterior das janelas para que os vitrais possam ser observados durante o período noturno; a adoção de um sistema inovador de deteção de incêndios com aspiração contínua do ar (com uma análise constante dos parâmetros de CO2) e sem recurso a caixas no teto; a opção por lâmpadas de tecnologia LED não só para reduzir consumos e prevenir incêndios como também para não ter impacto na deterioração do acervo (devido à inexistência de raios UV); ou ainda os 4 dias necessários para a recolocação do lustre após restauro e montagem das estátuas dos “turcos”.

Os revestimentos de paredes e tetos (com estuques lisos e com relevo) foram tratados respeitando as técnicas e materiais originais, e realizou-se uma limpeza profunda seguida de um extenso e complexo trabalho de reintegração da cor (através da investigação sobre a cor original).

O pavimento sofreu uma intervenção profunda a nível estrutural, superficial e de enquadramento das novas infraestruturas. Este processo incluiu o levantamento de parte significativa do soalho para desinfestação e reforço dos apoios das vigas nas paredes, bem como a substituição de áreas deterioradas.

O mobiliário foi todo restaurado, nomeadamente os tamboretes e as otomanas, de forma a reproduzir com fiabilidade os estofos originais. Este data do séc. XIX e é em pele de cabra tingida com corante vermelho natural, de acordo com análises efetuadas a pedaços do original pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Couro.

Os objetos de decoração, como as porcelanas asiáticas, foram também alvo de conservação e restauro, tentando-se reproduzir a disposição ao tempo de D. Fernando.

 

O restauro das luminárias (lustre e quatro tocheiros empunhados por “Turcos”) constitui um dos principais focos do projeto, tendo sido completamente desmontados, limpos e retirada a oxidação, estabilizada a superfície, protegidos e iluminados com lâmpadas especiais.

 

O restauro dos vitrais das janelas incluiu também a recuperação das caixilharias, a consolidação das calhas de chumbo, tratamento das fraturas e lacunas cromáticas.

 

A Escada das Cabaças e a Sala de Entrada foram também restauradas, contando a primeira com um restauro completo da pintura decorativa (quase apagada) e correção da ventilação natural, e a segunda sido alvo de restauro painéis em estuque moldado.

 

A intervenção incluiu também alterações completas nas infraestruturas, nomeadamente colocadas as tomadas em caixas de chão (em vez das paredes) e introduzidas e removidos todos os fios à vista; a iluminação foi projetada para vários cenários de utilização da sala, com base na tecnologia LED; e a ventilação natural foi melhorada através de grelhas na cobertura e ventiladores simples.