Requalificação exterior do palácio de Mafra inaugurada na quinta-feira

Requalificação exterior do palácio de Mafra inaugurada na quinta-feira

As obras de requalificação na envolvente ao Palácio de Mafra, inauguradas esta quinta-feira para valorizar o monumento e candidatá-lo a património mundial, contrastam com a degradação do maior conjunto sineiro do mundo, a aguardar por uma intervenção.
A passear com a mulher na frente do palácio, Lutério Tomás está satisfeito com o resultado da intervenção e o gosto de "vir ver todos os dias o convento" aumentou, porque a zona para andar a pé é muito maior.
Apesar de "faltar flores para substituir as do jardim, que deixou de existir, à semelhança do estacionamento, nota à agência Lusa que "há mais gente a tirar fotografias" e a desfrutar do espaço pedonal, que veio tornar o convento "mais visível".
A autarquia alargou a área pedonal, retirando o estacionamento e afastando a circulação automóvel da frente do monumento.
 "Temos o convento muito mais destapado e antes tínhamos o parque de estacionamento de terra batida à frente. Agora já não há estacionamento e o convento está mais à vista e está mais bonito. É mais agradável para passear", diz também Nazaré Martins.
Enquanto automobilistas, os dois residentes não sentem diferença, já que a câmara manteve o estacionamento existente nas zonas laterais ao imponente monumento.
As obras, com a requalificação do largo fronteiriço ao palácio, do Jardim da Alameda (do lado da Escola Prática de Infantaria) e do Largo das Tílias, custaram à câmara municipal 4,3 milhões de euros, com o intuito de valorizar o monumento.
Há dois anos decorreu o restauro dos seis órgãos da basílica, uma obra orçada em 10 milhões de euros.
A intervenção, financiada por fundos comunitários, da autarquia e do Turismo de Portugal, integrou uma empreitada mais vasta de 6,9 milhões de euros, com a requalificação de outras zonas da vila, entre elas a construção de um novo terminal rodoviário, que permitiu deslocalizar o estacionamento que existia frente ao palácio.
Apesar de "bonitas", as obras também geram alguns lamentos de comerciantes.
"Antes tínhamos clientes que iam trabalhar para Lisboa e que deixavam aqui o carro para ir apanhar o autocarro e vinham tomar um café. Agora, retiraram o estacionamento e estragaram o negócio", queixa-se Belarmino Acúrcio, dono da pastelaria "Carrilhão".
Depois da inauguração há dois anos do restauro dos órgãos, o comerciante, que recorda os sinos e carrilhões a tocar até meados dos anos 90, espera que as obras no maior conjunto sineiro do mundo não sejam esquecidas e possam contribuir para trazer ainda mais turistas a Mafra.
O concurso público internacional, no valor de 1,8 milhões de euros para obras nos sinos e nos dois carrilhões, está para ser lançado há mais de um ano pelo Estado e, enquanto não acontece, o palácio tem vindo a reforçar a segurança e estabilidade dos sinos com a colocação de andaimes, um cenário que contrasta com a requalificação exterior.
Em 2012, o palácio foi visitado por 236 mil turistas. Do seu património destaca-se a biblioteca, o maior conjunto sineiro, com dois carrilhões e 119 sinos, que marcavam as horas e os ritos litúrgicos, e um conjunto de seis órgãos que tocam em simultâneo, únicos no mundo.