Reposição de areias é a melhor solução para as praias da Caparica

Reposição de areias é a melhor solução para as praias da Caparica
A reposição de areias em larga escala é a melhor solução para combater a erosão da Costa da Caparica e do litoral português, defendeu hoje o docente universitário Carlos Coelho, especialista em transporte sedimentar e engenharia costeira.
 
"A alimentação artificial [com areia] é uma solução que obriga a custos de intervenção constantes. Todos os anos é preciso gastar dinheiro, mas é uma solução que considero - e o grupo de trabalho que analisou a situação do litoral português, depois dos invernos rigorosos de 2013 e 2014, também considera - que deve ser adotada neste momento", disse Carlos Coelho, da Universidade de Aveiro.
 
O docente, que falava à Lusa durante o Congresso Almada Entre Mares, promovido pela ALMAR - Associação Cívica de Almada para o Desenvolvimento, reconheceu que se trata de uma medida com custos de intervenção mais elevados que outro tipo de soluções, mas acredita também que é a única solução com algum retorno a médio e longo prazo.
 
"Há outras soluções, como a construção de esporões, de quebra-mares e de recifes artificiais, mas não trazem areia para colmatar o défice sedimentar do litoral português", disse Carlos Coelho, acrescentando que "o causador de grande parte do défice sedimentar são as barragens, redutoras da quantidade de sedimentos que os rios fornecem ao litoral".
Para o empresário Nuno Mesquita, proprietário de uma fábrica de pranchas de surf, e para Pedro Bicudo, docente no Instituto Superior Técnico (IST) e investigador no estudo da física das ondas e surfista - ambos apresentaram também uma comunicação aos cerca de 80 congressistas -, é fundamental preservar o potencial das praias da Caparica, no concelho de Almada, para a prática do surf.
 
"A sul da Caparica, aquelas praias que ainda são naturais, têm um enorme potencial para o surf, porque os turistas procuram a natureza. A linha de Cascais está a perder valor natural, porque tem demasiadas urbanizações, mas aqui ainda temos praias naturais", disse Pedro Bicudo, convicto de que o surf "é um mercado brutal parta se desenvolver".
 
O docente sublinhou que "Portugal já é um dos países mais litoralizados do mundo, onde toda a gente vive no Litoral e onde uma boa parte dos jovens passará a fazer surf no futuro". Na Europa, acrescentou, ainda há menos de um milhão de praticantes, mas há também 200 milhões de jovens europeus que gostariam de surfar.
 
As preocupações de Pedro Bicudo são partilhadas por Nuno Mesquita, que defende a criação de um grupo de trabalho para estudar as melhores soluções para a Costa da Caparica.
 
"Não tenho nenhuma solução técnica que consiga dizer qual o caminho - provavelmente será uma solução mista -, mas o objetivo passa por reconhecer a importância das ondas e do surf", disse.