Reorganização das esquadras da PSP gera polémica em Lisboa

Reorganização das esquadras da PSP gera polémica em Lisboa

O Ministério da Administração Interna (MAI) justificou hoje a reorganização de esquadras da PSP em Lisboa com o facto de o atual modelo do comando metropolitano estar assente numa "excessiva 'pulverização'" daqueles equipamentos.

"Esta reorganização é motivada por razões operacionais, O atual modelo organizacional e funcional do Cometlis [Comando Metropolitano de Lisboa] está assente numa excessiva 'pulverização' de esquadras e apresenta algumas debilidades, nomeadamente o elevado número de esquadras por divisão, disparidades nos rácios esquadras/efetivos por divisão e elevados custos operacionais na vertente de atendimento e de policiamento", refere o MAI numa nota enviada hoje à agência Lusa.

A tutela adianta que as razões operacionais foram "identificadas pela própria PSP", que apresentou à tutela uma proposta de reorganização, "ainda em fase de consulta".

O jornal i avançou hoje que Lisboa irá perder dez esquadras da PSP até maio. À Lusa, o MAI confirma que a PSP apresentou à tutela um plano de reorganização do dispositivo Cometlis que "inclui o encerramento, a abertura e a reabilitação de esquadras", sem especificar os equipamentos em causa.

"Esta proposta de alteração do dispositivo do Comando Metropolitano de Lisboa foi articulada com a câmara municipal", refere, adiantando que "as datas de encerramento, inauguração e conclusão da reabilitação das esquadras não são ainda definitivas".

O MAI diz ainda que o atual modelo está "desadequado face à reorganização administrativa do território das freguesias" que já decorreu na capital, reduzindo de 53 para 24 o número de freguesias.

A tutela garante que a proposta apresentada pela PSP "permitirá reforçar a presença e a visibilidade dos elementos policiais, aumentar a componente preventiva e reativa, racionalizar recursos, permitir uma coordenação operacional das forças mais eficaz, melhorar as condições de trabalho e ajustar a área de responsabilidade da intervenção policial aos limites impostos pela nova divisão administrativa".

O MAI explica que a "redução de despesa obtida, pelo menos diretamente", com esta reorganização, "não é significativa nem é o objetivo".

"Todavia, é importante ter presente que no modelo seguido até agora existem esquadras separadas por 500 metros e que uma esquadra normal pode requerer até 15 elementos em tarefas administrativas, privando-os da sua função, que é garantir a segurança nas ruas", refere.

De acordo com o jornal i, na freguesia de Carnide poderão encerrar as esquadras do Bairro da Horta Nova, do Bairro Padre Cruz, na nova freguesia de Santa Maria Maior estará previsto encerrar os postos de atendimento no Martim Moniz e no Rossio, e a esquadra de Alfama.

Segundo o jornal, está ainda previsto o encerramento de esquadras no Cais do Sodré, na Zona J (Chelas), na Bela Vista, no Bairro do Cabrinha (Alcântara) e em Arroios.

Os autarcas das juntas de Santa Maria Maior e de Carnide já se manifestaram contra o encerramento de cinco esquadras nestas freguesias de Lisboa.