Quinta do Bill festejam 25 anos

Quinta do Bill festejam 25 anos

Saíram do anonimato com a conhecida canção “Filhos da Nação”, mas do seu universo musical há muitas e boas heranças, nomeadamente as baladas que agora apresentam no CD comemorativo de um quarto de século. Os Quinta do Bill estão este ano em festa e recordam que nem sempre foi fácil imporem-se no mundo da música em Portugal. Mas, para Carlos Moisés e Paulo Bizarro tudo se consegue quando há paixão pelo que se faz. Esse é o segredo da longevidade para continuar nas luzes da ribalta!

 

Como é que passaram estes 25 anos?

Muito rápido. Passaram depressa e muito bem!

 

Mas, quando começaram, sentiam que podiam chegar aqui?

Nunca pensámos nisto. Havia o sonho de gravar um disco, de produzir e felizmente as coisas proporcionaram-se. O primeiro disco passou quase despercebido e só em 1994, quando cantámos os “Filhos da Nação”, é que nos tornámos conhecidos e aí sim, pensámos que se calhar poderíamos fazer daqui uma carreira.

 

É, no fundo, um hino vosso?

É e, acima de tudo, é uma canção ainda muito viva. Podemos continuar a cantar sempre, continua actual. E de facto foi a partir dessa música que tudo se proporcionou, acima de tudo à custa de muita paixão pela música e muito trabalho. E, sobretudo, também pela conquista de um público sempre muito fiel.

 

Não foi fácil para uma banda que vem de Tomar, que foge às grandes cidades de Lisboa e Porto, impor-se na música a nível nacional?

Não, nada. Acho mesmo que fomos os primeiros a conseguir isso, uma banda de província conseguir tornar-se conhecida. Depois vieram os The Gift, de Leiria, David Fonseca, também de Leiria, mas há 25 anos, não era habitual.

Acho que o nosso país precisava de mais bairrismo. Aqui ao lado, em Espanha, ouvem muita música espanhola. Eles acham que os seus artistas têm valor e qualquer rádio espanhola passa música espanhola a torto e a direito. E Portugal, até mesmo por uma questão económica, devia dar espaço para as pessoas se mostrarem.

 

É possível viver da música?

Hoje em dia não é possível fazer vida da música. Para já, as autarquias estão em contenção e o primeiro sector a cortar será nas actividades culturais. Portanto, temos que gerir muito bem isto, é preciso reinventar e termos espírito crítico. É muito importante não estarmos calados.

 

Falemos agora deste novo CD “25 anos – As Baladas”. Porquê baladas?

Porque as baladas também fazem parte do universo dos Quinta do Bill. Por um lado, foi provocação, por outro lado tem muita razão de ser. Em todos os discos que fizemos, e de originais já são sete, para além dos discos de concertos ao vivo e colectâneas, temos sempre canções mais intimistas, mais melancólicas. Faz parte do universo dos Quinta do Bill. Mas a partir do momento em que nos tornámos um grupo de palco e em que fazemos de cada concerto uma festa, o que as pessoas pensam automaticamente dos Quinta do Bill é que somos um grupo de músicas alegres, um grupo de festa. E, por isso, quisemos mostrar o outro lado dos Quinta do Bill.

 

E depois do CD, há concertos que já estão planeados?

Na sequência deste alinhamento, pensamos que será interessante haver um percurso de auditórios, com espectáculos focalizados nestas canções, com um registo mais intimista, para as pessoas absorverem as canções de outra maneira que não o tradicional concerto aos pulos, literalmente!

 

Ponto alto destes 25 anos?

Houve muitos, sempre em concertos. A Queima das Fitas em Coimbra, os concertos na EXPO98. Foram sítios que marcaram não só pela quantidade de público, como pela qualidade, com uma atitude extraordinária No fundo, sentimos um grande privilégio por termos tocado em palcos tão diferentes, por aqui, mas também nas Ilhas, nos Açores...

 

Qual foi o palco mais bonito que já pisaram?

Hum... Tivemos um palco muito bonito em Macau...

 

O que vos falta fazer?

Mais canções. É isso que queremos. Sentimo-nos realizados por poder fazer isto, produzir canções e cantar canções. E vamos continuar. Nunca abdicando do nosso universo, vamos sempre continuar a reinventar-nos, a procurar algo de novo. E é talvez esse o segredo da nossa longevidade.

 

Texto: Ana Raquel Oliveira

Foto: Filipe Guerra