Queda de granizo na região deve-se a tempestade formada no mar

Queda de granizo na região deve-se a tempestade formada no mar

A forte queda de granizo da manhã desta sexta-feira na região de Lisboa deveu-se a uma "estrutura supercelular", um tipo específico de tempestade formada ainda no Oceano Atlântico, disse à agência Lusa a meteorologista Madalena Rodrigues.

"Estamos sob efeito de uma depressão centrada a oeste da Península Ibérica, às quais estão associadas linhas com forte instabilidade", afirmou Madalena Rodrigues.

Segundo a meteorologista, o fenómeno da forte queda de granizo deveu-se a "uma estrutura supercelular, que se começou a organizar ainda no Atlântico e em deslocamento lento" chegou a Portugal Continental.

Essa "supercélula", um tipo de tempestade que inclui uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem, chegou em primeiro lugar a Lisboa e Setúbal e depois à zona do Algarve.

"Esse movimento lento determinou o granizo observado. Esse granizo extensivamente produzido deveu-se aos fortes movimentos verticais associados a supercélulas, que não permitiram a formação de cristais de neve, mas potenciaram a formação do gelo", acrescentou.

A meteorologista precisou que se tratam de aguaceiros, que variam no espaço e no tempo, e por isso a situação de queda de granizo pode ser diferente.

Madalena Rodrigues indicou, ainda, que a "tendência é para diminuírem as condições de instabilidade".

"Ainda pode ocorrer um aguaceiro ou outro, pontualmente de granizo e acompanhado de trovoada, mas com uma tendência para diminuir ao longo da tarde de hoje", disse à Lusa.

As previsões indicam que estes aguaceiros podem continuar ainda no sábado nas regiões do Sul.

A forte queda de granizo, em Lisboa, fez multiplicar hoje os pedidos de ajuda aos bombeiros e dificultou a circulação do trânsito em hora de ponta, além de ter proporcionado um invulgar manto branco nas ruas.

Entre as 08:30 e as 08:50, o Regimento dos Sapadores Bombeiros recebeu 11 pedidos de ajuda devido a inundações e nas estradas da zona de Benfica também era visível o trabalho de funcionários camarários para libertar automóveis do manto de gelo que se formou.

Este cenário fora registado uma hora antes na Parede, concelho de Cascais.

Os bombeiros de Carnaxide, concelho de Oeiras, também tiveram trabalho suplementar durante a manhã devido a inundações.