Quando voltar ao trabalho já tem uma opção ao seu tradicional meio de transporte

Quando voltar ao trabalho já tem uma opção ao seu tradicional meio de transporte
Durante duas semanas, deixámos o carro na garagem trocando-o por dois dos modelos de eleição da marca nipónica no que toca a motociclos com 125 cc de cilindrada. O objectivo era perceber, na prática, as virtudes da lei que permite aos automobilistas com mais de 25 anos e carta de condução há mais de dois utilizar estas motos sem necessidade de qualquer licença adicional. Com a chamada "lei das 125", as vendas deste tipo de motos dispararam em flecha. Importava, assim, saber por que razão tanta gente passou a trocar o conforto do carro pela utilização de veículos de duas rodas.
 
Na primeira semana de utilização, optámos pela Honda XL 125 Varadero, baseada no conceito e no aspecto da XL1000V mas com a ligeireza de uma 125.
De formas atraentes e com a dimensão de uma moto de maior cilindrada, esta Varedero não passou despercebida e quase sempre motivou comentários do estilo: "não, não pode ser uma 125. Isto é uma 400...". De facto, embora limitada a uma potência de 14 cavalos e a uma velocidade máxima de 100 km/h, esta moto dá nas vistas e oferece versatilidade suficiente para ser utilizada num passeio pelo campo, numa ida à praia, ou, claro, nas deslocações citadinas de casa para o emprego. Com ela, fizemos tudo isso e muito mais.
 
Dotada de um fiável motor V-twin, a 4 tempos, refrigerado por líquido, com novo sistema de injecção electrónica e cinco velocidades, esta Xl 125 está, assim, optimizada para todos os tipos de condução. Como tal, não foi difícil descobrir caminhos para paisagens deslumbrantes em plena zona rural e até uma praia (da Samarra, em Sintra) completamente deserta, só acessível de moto ou jipe. Logo ali, desapareceu qualquer tipo de saudade do carro alemão parado em casa. Mais tarde, já com ‘pendura’, inicialmente renitente mas em pouco tempo rendida aos prazeres de um uma viagem de moto, experimentámos outras praias. Todas, cheias de gente e pejadas de carros por todo o lado. De Honda , o estacionamento foi mesmo "à porta da praia". Isso mesmo, com o maior conforto e sem stress.
 
O regresso a casa deu-se à mesma hora de toda a gente. Resultado: as filas intermináveis foram vencidas sem qualquer dificuldade e a viagem, de tão rápida, ainda permitiu uma paragem para um saboroso gelado numa bela esplanada, novamente com a Varadero à porta, sem necessidade de procurar lugar ou de gratificar arrumadores.
 
Passado o fim-de-semana, veio a experiência de percorrer o IC19, rumo ao local de trabalho. Aqui surgiram as primeiras dificuldades. O vento é, de facto, um dos piores inimigos dos motociclistas. Porém, a falta de respeito dos restantes automobilistas por quem viaja em duas rodas é também gritante. Mesmo assim, a chegada a Linda-a-Velha deu-se dez minutos antes da hora habitual, pois o trânsito caótico da A5 foi vencido num ápice. Depois, foi só parar à porta do edifício empresarial onde trabalhamos, num espaço isento – é isso mesmo, isento – do arreliador pagamento de parquímetros.
 
Na semana seguinte trocámos a XL125, pela mais popular scooter da Honda, a PCX125. De motor mono-cílindrico a 4 tempos e uma potência de 11 cv, não oferece a versatilidade da Varadero, mas é muito mais ágil no trânsito urbano. Dotada de excelente binário, com transmissão automática, deu grande gozo a passar pelo meio dos que estavam parados. Quando tínhamos mesmo que parar, o inovador sistema "Star&Stop" com que vem dotada encarregava-se de reduzir os consumos, cifrados na ordem dos 2,2 l/100 km.
 
Feitas as contas ao tempo ganho (cerca de uma hora por dia), ao prazer de chegar mais cedo a todo o lado, ao combustível poupado (menos 5 a 7 euros por dia) e aos naturais benefícios para o ambiente, percebemos por que razão há cada vez mais gente a trocar o carro por uma moto.
 
O investimento inicial (cerca de 5100 euros para a Varadero, 2500 para a PCX), tem amortização garantida em pouco tempo. Agora, é só experimentar...
 
Paulo Parracho