Proprietária avança com obras em muro para reabrir estrada no Penedo, em Sintra

Proprietária avança com obras em muro para reabrir estrada no Penedo, em Sintra

A reparação do muro de uma quinta que ameaça ruir, e levou ao corte da estrada que liga o Penedo a Almoçageme (Sintra) desde janeiro, deve ficar pronta dentro de "cinco a seis semanas”, anunciou hoje a proprietária.

"Já temos a licença, o construtor deve ter as máquinas prontas na terça e na quarta-feira deve arrancar a reparação do muro", disse hoje à agência Lusa a proprietária da Quinta de Cima, Filipa Azevedo.

Embora o prazo para a reparação de 25 metros do muro que delimita a quinta esteja estimada em nove semanas, a proprietária adiantou que "o construtor acredita poder concluir a obra em cinco a seis semanas", se não surgirem imprevistos.

A população da aldeia do Penedo aguarda desde janeiro pela reparação do muro da quinta nas Casas Novas, com cerca de 4 metros de altura e 100 metros de comprimento, cujo estado obrigou a vedar à circulação a estrada que liga a Almoçageme.

"Por causa de cerca de 150 metros temos que dar uma volta de cinco ou seis quilómetros", lamentou, no final de maio, em declarações à Lusa, Nelson Santos, morador de 61 anos.

"As pessoas estão cansadas de suportar esta situação e de não terem uma alternativa de acesso, nem sequer pedonal", criticou, em declarações anteriores, José Pereira, residente no Penedo e comerciante em Almoçageme.

A população tentou boicotar, a 25 de maio, as eleições para o Parlamento Europeu, mas a garantia da Câmara de Sintra de que ia avançar com obras coercivas demoveu o protesto e as urnas abriram com uma hora de atraso.

Numa reunião do executivo, o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS), reconheceu "urgência" na intervenção, mas notou ser uma obra dispendiosa e que a casa pertence ao advogado Vale e Azevedo e "está numa sociedade ‘offshore'".

No entanto, os protestos da população levaram a câmara a decidir-se pela posse administrativa da quinta com vista a assumir a realização das obras e a imputar os custos à proprietária.

Filipa Azevedo, da Imaved, estranhou na altura a estimativa apontada pela autarquia de cerca de 40.000 euros para os trabalhos, uma vez que possuía um orçamento de pouco mais de metade do valor.

A proprietária comunicou em maio à câmara que o orçamento de 25.239 euros excedia "largamente as capacidades financeiras" da empresa, mas após novos contactos com a autarquia optou por realizar as obras "após um ajustamento" às estimativas iniciais.

Na prática, segundo explicou Filipa Azevedo, uma nova metodologia para a realização da obra, "com a demolição dos 25 metros de muro e a intervenção imediata do arqueólogo", para verificar da existência, ou não, de vestígios arqueológicos, permitirá conter custos.

A proprietária mostrou-se satisfeita com a solução, apesar de "lamentar uma burocracia desnecessária dos serviços da câmara, que primeiro disseram que não era preciso licença para a obra e depois exigiram todo o tipo de documentos", previstos num processo de licenciamento numa zona sensível da serra de Sintra.