Programa de visitas 'Do Parque à Tapada' aproxima Sintra e Mafra

Programa de visitas 'Do Parque à Tapada' aproxima Sintra e Mafra
As tapadas de Monserrate, em Sintra, e de Mafra vão ter um programa conjunto de visitas guiadas, que procura dar a conhecer a biodiversidade dos dois ecossistemas naturais da região de Lisboa.
 
"Estamos a falar de dois percursos pedestres, em áreas que normalmente não têm vindo a ser tão exploradas a nível da visitação", explicou Susana Morais, da sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que se associou à Tapada Nacional de Mafra (TNM) para lançar o programa "Do Parque à Tapada - A Natureza em Sintra e em Mafra".
 
O programa depende de marcação prévia, mas está disponível no terceiro sábado de cada mês, com uma visita guiada de manhã em Sintra e à tarde em Mafra, com uma duração total de cerca de três horas e meia.
 
Segundo Alda Mesquita, diretora da TNM, a parceria pretende facultar "novas experiências e informação, recorrendo ao apoio de ferramentas inovadoras para que os visitantes possam percecionar as muitas espécies que coexistem neste cenário florestal invulgarmente rico e diversificado".
 
Na tapada de Monserrate, numa área florestal com 110 hectares, o percurso, com uma extensão de cerca de um quilómetro, terá a duração de hora e meia e pretende sensibilizar para a fauna e a flora da serra de Sintra, inserida no Parque Natural de Sintra-Cascais.
Os visitantes terão ao dispor painéis informativos que complementam o conhecimento de conceitos como o ciclo da água, da "forest food" (floresta como fonte alimento de animais e do homem), da evolução geológica e do equilíbrio necessário á manutenção do microclima, mas que servem também para visitas individuais sem guia.
 
Três esculturas em madeira de mamíferos - um gamo e a cria, um urso e lobos -, ao longo do percurso, visam surpreender os visitantes e servem de testemunho de espécies atualmente inexistentes na paisagem de Sintra, mas que já habitaram a serra.
 
Em Mafra, por um trilho menos explorado, com cerca de quatro quilómetros, os visitantes podem descobrir "uma floresta que atingiu o seu ponto de maturidade", numa área murada com 833 hectares, que permite assegurar a preservação de espécies vulneráveis e em perigo de extinção, como a águia de Bonelli.
 
Num pequeno centro de interpretação serão dados a conhecer exemplos da plumagem de aves, modelos de pegadas de mamíferos e amostras de excrementos de alguns animais que podem ser vistos à solta pela tapada, como javalis, gamos e veados.
Além da abertura de novas zonas de visita, o programa pretende "diversificar a oferta" ao público das duas entidades, reforçando a "sensibilização ambiental" para os valores de Sintra e em Mafra, notou Susana Morais.
 
O projeto, cofinanciado por verbas comunitárias do POR (Programa Operacional Regional) Lisboa, orçou "em cerca de 200.000 euros", dos quais 127.000 foram aplicados em Mafra, com a criação dos percursos, sinalização, guias e "micro-site" alojado nas páginas na internet das duas entidades, revelou Alda Mesquita.
 
O programa tem o custo de dez euros para alunos, em grupos mínimos de 20, de 45 euros para bilhetes de família, de dois adultos e duas crianças, e de 13 euros para adultos e 11 para crianças.
 
A diretora da TNM adiantou que está previsto que operadores turísticos possam vir a participar no programa "Do Parque à Tapada", assegurando o transporte entre os dois percursos, mas atualmente os visitantes terão de percorrer por meios próprios os cerca de 30 quilómetros entre Sintra e Mafra.