Presidente da ANTRAL defende mudança na prestação do serviço de táxi

Presidente da ANTRAL defende mudança na prestação do serviço de táxi
O presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, defendeu hoje uma mudança na prestação do serviço de táxi, em resposta à “revolução” que as plataformas digitais trouxeram ao setor.
 
“O setor tem 100 anos e não tem tido desenvolvimento nenhum. O táxi tem-se fechado dentro do seu mundo e temos que repensar seriamente o que queremos deste setor”, afirmou o dirigente aos jornalistas, em Viseu, onde até domingo se assinala o XIII Dia do Táxi.
 
Na sua opinião, os taxistas têm que “ter abertura para o futuro”, porque “o cliente não pode andar à procura de um serviço aqui e de outro acolá”.
 
“O setor do táxi tem possibilidade de prestar todo o serviço que o utente quer. E é isso que, infelizmente, não tem acontecido, porque o táxi tem uma regulamentação muito fechada, muito rija”, lamentou.
 
No sábado, em Viseu, vão ser discutidas várias questões relativas ao setor, para depois serem apresentadas propostas ao Governo.
 
“As áreas metropolitanas de transportes não funcionam porquê? Porque é que o táxi de Lisboa, por exemplo, não pode ir a Cascais, a Oeiras, a Sintra, a Almada?”, questionou.
 
Segundo Florêncio Almeida, “em toda a Europa as grandes cidades têm áreas metropolitanas que trabalham todas em conjunto”.
 
“Madrid tem 38 concelhos, Valência tem 43, Barcelona tem 38. A oferta é muito mais diversificada para o cliente. O cliente é muito mais bem servido e o táxi tem outra rentabilidade. E nós aqui estamos amarrados a concelhos, os contingentes são das Câmaras e isto não pode ser”, considerou, acrescentando que esta será uma proposta em discussão.
 
O responsável admitiu que os taxistas têm “resistência à mudança”.
 
“Tem que se pensar se é altura de mudar ou não, porque as plataformas digitais, quer queiramos, quer não, vieram dar um grande abanão no setor dos táxis a nível mundial”, acrescentou.
 
Para Florêncio Almeida, a forma de trabalhar tem que ser alterada para que o táxi esteja “mais perto do utente” e os taxistas têm de melhorar, por exemplo, ao nível do vestuário.
 
“Andamos a propor há muito tempo que seja obrigatório andar devidamente vestido, mas o Governo diz que não é possível, que é inconstitucional”, referiu, criticando os taxistas que andam “de chinelo no pé e de calções”.
 
Na sua opinião, deveria estar escrito na legislação que “o motorista do sexo masculino só pode usar camisa, camisola, calça, sapato e ténis”, para que, quando isso não fosse cumprido, as autoridades pudessem multar.
 
“Andamos a transportar pessoas, temos que andar decentemente vestidos, barbeados, apresentáveis. Muitos andam aí a cheirar mal, não tomam banho. Tem de haver rigor”, sublinhou.