Populares em protesto contra o fecho da estação de Correios de S.João das Lampas

Populares em protesto contra o fecho da estação de Correios de S.João das Lampas

Três dezenas de pessoas protestaram hoje em São João das Lampas, em Sintra, contra o encerramento da estação de correios da localidade, por considerarem que vai contribuir para o isolamento da freguesia e prejudicar os mais idosos.
De acordo com o presidente da junta, Guilherme Ponce Leão, apesar de os CTT – Correios de Portugal já terem anunciado a transferência de serviços para uma empresa de contabilidade junto a esta estação de correios, a medida continua a ser negativa para a freguesia.
"Grande parte das valências da estação de correios não pode ser feita no futuro posto, que, por exemplo, não vai ter capacidade paga pagar 20 ou 30 reformas num só dia. Este é mais um sinal de abandono desta freguesia, onde já fecharam bancos, empresas, 15 estabelecimentos encerraram nos últimos tempos e existem mais de 50 casas por alugar", lamentou o autarca à agência Lusa.
Segundo Ponce Leão, a maior parte dos reformados desta freguesia, onde moram mais de 12 mil pessoas, será obrigada a percorrer mais de 40 quilómetros de ida e volta à sede do concelho, Sintra, para levantar as suas pensões.
"Onde é que está a questão social dos CTT? Aqui há poucos transportes públicos e as passagens são caras", afirmou.
Presente no local, o vereador da Câmara de Sintra Pedro Ventura (CDU) disse à Lusa que, além de São João das Lampas, também Colares e as Mercês ficarão sem estação dos CTT.
"Há um envelhecimento notório destas populações e o encerramento de serviços públicos cria isolamento. Existem falhas nos transportes públicos e, por exemplo, uma pessoa de São João das Lampas que queira ir a Sintra tem que circular em três empresas de transportes rodoviários, o que torna as deslocações difíceis e caras", adiantou.
Segundo Rui Silva, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, o encerramento desta estação está previsto para até dia 31 de maio e está inserido no "processo de privatização da empresa", com o encerramento de 200 estações em todo o país.
Para o sindicalista, a transferência dos serviços das estações dos CTT para postos privados (como papelarias) tem desvantagens, como "a questão do sigilo" e a obrigatoriedade de deslocação a outros locais, alguns deles a vários quilómetros.
"As pessoas da terra vão ficar a saber quanto recebe um pensionista e quem renovar uma carta de condução depois não a pode levantar no posto dos correios e tem que se deslocar a uma estação. Aqui, terão que fazer à volta de 40 quilómetros para o fazer", afirmou.
No final de abril, em resposta à agência Lusa, os CTT referiram que a transferência de serviços em Colares e São João das Lampas é consequência do "sobredimensionamento da oferta dos CTT" em Sintra, onde entre 2007 e 2011 o tráfego caiu 15,4%, e que, dada a "elevada densidade" de balcões no concelho, esta "transferência" de serviços terá um impacto nulo.
Segundo os CTT, todos os serviços postais continuarão disponíveis, incluindo os pagamentos de vales de prestações sociais, a cobrança de faturas e a receção de objetos registados e encomendas e, nos casos em que "os clientes o desejarem, os correios poderão inclusivamente garantir o pagamento de vales ao domicílio".
A oferta do grupo CTT em Sintra contempla 17 estações de correio (lojas próprias dos CTT), 16 postos de correio (lojas exploradas por privados), 74 postos de venda de selos e 92 agentes Payshop. A empresa vai remodelar a estação de Massamá e reinstalar a de Pêro Pinheiro num novo local.