População de Colares manifesta-se contra encerramento da estação de correios

População de Colares manifesta-se contra encerramento da estação de correios

Três dezenas de pessoas protestaram hoje em Colares, em Sintra, contra o encerramento da estação de correios da localidade, por considerarem que vai obrigar os idosos a deslocarem-se à sede do concelho para receber pensões.
Segundo Rui Silva, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), os CTT vão encerrar a estação até 31 de maio e estabeleceram um protocolo com uma empresa de informática que irá operar nas atuais instalações, mas que apenas manterá parte dos serviços.
"A freguesia de Colares vai perder mais de cinquenta serviços dos correios. Serviços como certificados de aforro, levantamento de cartas de condução, de pensões e de encomendas com peso superior a dezasseis quilos têm que ser feitos na Portela de Sintra, a mais de 12 quilómetros de distância", disse o sindicalista à agência Lusa.
Para Rui Silva, a transferência dos serviços das estações dos CTT para postos privados tem desvantagens como "a questão do sigilo" e a obrigatoriedade de deslocação a outros locais, alguns deles a vários quilómetros.
O sindicalista afirmou que o encerramento da estação de Colares está inserido "no processo de privatização da empresa que prevê o encerramento de duzentas estações em todo o país, pondo em risco mais de 600 postos de trabalho".
Para o morador Pedro Macieira, a população da freguesia de Colares está "envelhecida" e utiliza a estação de correios para levantar as pensões e pagar as contas da água ou da eletricidade.
"A população mais idosa vai ter que se deslocar a Sintra e vai gastar dinheiro nessas deslocações. Portanto, vão ter uma série de questões para resolver, que só podem ser resolvidas em Sintra", disse.
Presente no protesto, o vereador da Câmara de Sintra, Pedro Ventura (CDU) disse à Lusa que "têm chegado bastantes queixas de pessoas à câmara porque entendem que é mais uma perda de um serviço público".
"O encerramento desta estação e da de São João das Lampas vai afetar mais de vinte mil pessoas. Estes encerramentos são um erro grave e injustificado e está inserido no processo de privatização da empresa", disse.
O vereador adiantou que com a diminuição de serviços postais nesta freguesia, onde os transportes públicos "não circulam com grande frequência e com tempos de espera de hora e meia" estão a "isolar as populações".
"Acabam por condenar estas freguesias [rurais] à desertificação, com pessoas apenas aos fins de semana", lamentou Pedro Ventura.
No final de abril, em resposta à agência Lusa, os CTT referiram que a transferência de serviços em Colares e São João das Lampas é consequência do "sobredimensionamento da oferta dos CTT" em Sintra, onde entre 2007 e 2011 o tráfego caiu 15,4 por cento e que, dada a "elevada densidade" de balcões no concelho, esta "transferência" de serviços terá um impacto nulo.
Segundo os CTT, todos os serviços postais continuarão disponíveis, incluindo os pagamentos de vales de prestações sociais, a cobrança de faturas e a receção de objetos registados e encomendas e, nos casos em que "os clientes o desejarem, os correios poderão inclusivamente garantir o pagamento de vales ao domicílio".
A oferta do grupo CTT em Sintra contempla 17 estações de correio (lojas próprias dos CTT), 16 postos de correio (lojas exploradas por privados), 74 postos de venda de selos e 92 agentes Payshop. A empresa vai remodelar a estação de Massamá e reinstalar a de Pêro Pinheiro num novo local.