Polémica na Europa sem efeitos nos talhos que vendem carne de cavalo na zona de Lisboa

Polémica na Europa sem efeitos nos talhos que vendem carne de cavalo na zona de Lisboa
As notícias sobre a mistura de carne de cavalo identificada como carne de vaca em refeições pré-congeladas na Europa não está a afetar o negócio em talhos que comercializam carne de equídeo na região de Lisboa.
Carlos Espadilha tem um talho em Lisboa, que vende cavalo e até agradece as notícias sobre mistura de carnes em refeições pré-cozinhadas, porque permitem esclarecer o que é “escandaloso” e o que é “bom e saudável”.
“Faz bem à publicidade”, disse à agência Lusa o talhante do bairro de Alvalade, que tem na sua loja desde há muito tempo cartazes informativos sobre as vantagens de consumir carne de cavalo.
Espadilha, no entanto, não poupa quem está a misturar carne de cavalo em lasanhas em vários países da Europa: “É escandaloso. Estão a vender gato por lebre, que neste caso é cavalo por vaca”.
“Estão a enganar”, sublinha, assegurando que quem compra cavalo para comer sabe que a sua carne “é boa e saudável”.
A polémica dos alimentos não tem influência nas vendas daquele talho, reconhece o comerciante.
De outro talho onde se vende carne de cavalo, nos arredores de Lisboa, chega a garantia de que não há mudanças no consumo por causa das notícias.
Preferindo “não ter publicidade”, uma das pessoas que ali trabalha acrescenta à agência Lusa que há médicos que recomendam a carne de cavalo que “faz muito bem”.
O caso que tem colocado a carne de cavalo nas notícias é resumido pela mesma fonte como um “engano ao consumidor”.
Mário Durval, da Associação de Médicos de Saúde Pública, garantiu que a troca de carne de vaca por carne de cavalo em refeições pré-cozinhadas comercializadas “não constitui qualquer risco para a saúde pública”, tratando-se "apenas de um problema económico".
Na semana passada foram descobertas, no Reino Unido, embalagens de lasanha da marca Findus que contêm carne de cavalo, mas que estão etiquetadas como sendo carne de vaca. Entretanto, esta situação já foi detetada noutros países da Europa e com outras marcas, como a Picard, que já foram retiradas do mercado.
O Governo português anunciou na quarta-feira que "não foi detetada até ao momento, em Portugal, nenhuma situação" de consumo de carne de cavalo em vez de vaca.
Num comunicado, o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território refere tratar-se de "um crime de fraude económica, quer quanto à origem, quer quanto à composição do produto, bem como quanto à rotulagem", sublinhando que "a carne de cavalo não representa nenhum perigo para a saúde pública".
A tutela adiantou, também, que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) está a "acompanhar e monitorizar a situação" e garante que a secretaria de Estado da Alimentação e Investigação Alimentar "salvaguardará sempre a segurança alimentar e a defesa do consumidor em Portugal".
A Comissão Europeia apelou na quinta-feira a todos os países da União Europeia (UE) para que façam testes de ADN aos produtos à base de vaca.