Pedopsiquiatria ganha novo fôlego

Pedopsiquiatria ganha novo fôlego

 

 

A entrada em funcionamento da Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital Fernando da Fonseca no novo Centro de Saúde de Queluz traduz-se em mais crianças e jovens acompanhados e melhores condições para o seu tratamento nesta área.

O número de crianças e jovens (dos 3 aos 18 anos) acompanhados por aquela unidade, segundo dados avançados pelos seus responsáveis aquando da inauguração do Centro de Saúde de Queluz (no passado dia 19 de Dezembro), ascendia a 500, mas já então se previa para breve uma significativa subida do volume de atendimentos devido à recente articulação com o sistema de referenciação dos médicos de família. “Anteriormente, só recebíamos sinalizações a partir das reuniões comunitárias que fazíamos (nomeadamente com psicólogos das escolas, CPCJ’s, Centros de Saúde…), mas desde há pouco tempo passamos a receber, também, directamente dos médicos de família, o que significa que vamos cobrir uma população maior”, explicou ao JR Catarina Pereira, responsável pelo grupo de 9 técnicos que compõem aquela unidade de pedopsiquiatria. Um novo desafio encarado com serenidade porque “temos agora uma boa estrutura para dar resposta”.

Na verdade, as instalações ocupadas no Centro de Saúde do Cacém, desde o início de Outubro passado, é o corolário de um processo cujo ponto de partida foi uma “equipa muito pequena (até 2015, apenas um médico e uma psicóloga) e que trabalhava, sobretudo, no Hospital Fernando Fonseca, embora já em articulação próxima com a comunidade”. Em 2015, graças à aprovação de um projecto de promoção de saúde mental, a equipa cresceu, mas, em contraponto, não cabia no espaço transitório entretanto atribuído, já fora do Hospital Amadora-Sintra (junto à PSP de Queluz). Até que a construção do Centro de Saúde de Queluz - um investimento superior a 1 milhão e 100 mil euros, repartido entre a Administração Central (70%) e a autarquia sintrense (30%) – permitiu dar, finalmente, uma resposta mais adequada às necessidades deste serviço, que passou a funcionar em várias salas no 1º piso do edifício.

“Aqui temos espaços diferenciados que permitem a cada profissional desenvolver a sua actividade, além de possibilitar, também, intervenções de grupo”, salienta Catarina Pereira.

Na sua totalidade, a população potencialmente alvo de apoio por parte desta unidade de pedopsiquiatria é composta por cerca de 76 mil crianças e jovens, do concelho da Amadora e de parte de Sintra. A crescente autonomização desta equipa multidisciplinar – com três pedopsiquiatras, dois psicólogos, uma assistente social, um enfermeiro, uma terapeuta ocupacional e uma psicomotricista – apresenta benefícios muito concretos.

 

Antigamente, estas crianças e jovens tinham que ir para Lisboa, para consulta no Hospital Dona Estefânia - e muitos deles não iam porque é longe, porque  as pessoas não podiam faltar um dia inteiro ao trabalho, era complicado… Por outro lado, não era possível fazer este trabalho de resposta comunitária, de grande proximidade e em articulação com todas as estruturas”, enquadra a psiquiatra Teresa Maia, directora do Serviço de Psiquiatria do Hospital Amadora-Sintra (o qual inclui a Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência agora a funcionar no Cacém, mas também a Psiquiatria de Adultos), congratulando-se com a evolução realizada nesta área.

Trata-se, de resto, do cumprimento da estratégia adoptada a nível nacional, como explicou ao JR Eunice Carrapiço, coordenadora da Equipa Regional de Apoio ao Desenvolvimento dos Cuidados de Saúde Primários da ARSLVT.

Esta proximidade entre os profissionais dos Cuidado de Saúde Primários e os serviços de pedopsiquiatria e de psiquiatria, nomeadamente através das unidades comunitárias de saúde mental, é extremamente interessante porque o conhecimento personalizado das pessoas a quem estes serviços são dirigidos e suas famílias, bem como a proximidade dos vários profissionais envolvidos, tudo isso permite um apoio verdadeiramente integrado e que faz muito mais sentido do que a centralização desse trabalho nos hospitais”, explicou aquela responsável.