Paulo de Carvalho prepara concerto grande em Lisboa

Paulo de Carvalho prepara concerto grande em Lisboa

Agraciado com uma Medalha de Honra pelos seus 50 anos de carreira, pela Sociedade Portuguesa de Autores, no final de Junho, Paulo de Carvalho anda de palco em palco a celebrar meio século de cantigas. Das de antigamente, às mais recentes, as músicas de Paulo de Carvalho fazem parte da nossa identidade e mostram como o passar do tempo só traz mais respeito ao percurso do cantor, nome maior da nossa cultura.

Como está a decorrer a digressão comemorativa dos 50 anos de carreira?

Penso poder dizer que está a decorrer muito bem. O concerto provoca no público uma sensação de surpresa, que se torna agradável conforme vai decorrendo porque as músicas conhecidas estão lá, também porque há temas novos, mas sobretudo porque os arranjos são modernos e muito bem tocados por grandes músicos que comigo colaboram.

Nestas décadas todas de palco e estúdio, consegue eleger a canção da sua vida?

Francamente não. Aliás, duvido que a maioria dos cantores tenham uma canção que possam eleger como a que gostam mais dentro das que cantam. O público sim, pode gostar mais de uma ou outra canção que o fez viver momentos especiais.

E espectáculo... Há algum espectáculo especial que recorde com mais carinho?

Tenho a sorte de, em 50 anos, não ter feito espectáculos só por obrigação profissional. Gostei de tantos que é difícil dizer de qual gostei mais.

O Paulo tem uma vida muito rica, muito intensa, profissional e pessoalmente também... Sente-se uma pessoa privilegiada ou acredita que tudo passa pelo muito trabalho que se faz e no qual se aposta e investe toda uma vida?

Há várias razões para tudo isto acontecer. Respeito pela profissão, respeito pelo público que gosta de nós e a quem o nosso trabalho é dirigido, algum “jeitinho musical”, mas acima de tudo um enorme respeito por nós próprios. Como em qualquer profissão.

Neste concerto que vai trazer a Lisboa em Setembro, vai contar com duas presenças muitos especiais: Mafalda Sacchetti e Agir. Como é partilhar canções com os seus próprios filhos?

Já cantei várias vezes com a Mafalda Sacchetti e com o Agir que, por acaso e por amor, são meus filhos e também são bons profissionais, e que apreenderam muitas das razões da resposta anterior, por isso, também, me dá prazer fazer música com eles.

E cantar em Lisboa? É algo diferente de cantar num outro palco qualquer, por ser a “sua” cidade ou não pensa nisso?

O espectáculo não vai ser diferente dos que fizemos no resto do país, e iremos continuar a fazer, só por ser em Lisboa. A minha consideração pelas pessoas que me vão ver é igual em qualquer lugar.

Se tivesse que agradecer a alguém pela carreira que conseguiu fazer, a quem o faria?

Ao público e a mim próprio.

E depois destes espectáculos comemorativos dos 50 anos, de tantos concertos um pouco por toda a parte, o que se segue? Há algum disco novo em mente?

Há um CD novo para sair em Outubro com duetos. O tema é Lisboa que é hoje uma cidade, tal como o nosso país, onde se cruzam raças e culturas. Daí os duetos com músicos de Angola, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, de países de Leste, bem como da área do fado. Estou a gostar muito deste trabalho, mas há mais ideias para futuro...

Texto: Ana Raquel Oliveira

Foto: promoção