Patriarcado de Lisboa celebra 300 anos com musical e sínodo

Patriarcado de Lisboa celebra 300 anos com musical e sínodo
Um musical, uma exposição, a publicação de vários livros e a realização do Sínodo Diocesano, são algumas das iniciativas do programa celebrativo do 3.º centenário da elevação da diocese de Lisboa à qualidade patriarcal, que foi hoje apresentado.
   
"As comemorações dizem respeito a uma realidade que é a diocese de Lisboa", disse o cardeal-patriarca Manuel Clemente na apresentação do programa das comemorações, realçando que a qualidade patriarcal dada à diocese de Lisboa, pela bula de Clemente XI, "não distingue hierarquicamente Lisboa das outras 19 dioceses".
 
"Em termos doutrinários não há um nível intermediário", a Igreja é universal, "na união dos seus bispos com S. Pedro", e local, através das comunidades diocesanas lideradas pelos seus bispos, explicou Manuel Clemente.
 
Lisboa tem a distinção de Patriarcal desde a bula de 07 novembro de 1716 que deu essa categoria à então capela real, no Paço da Ribeira, destruído no terramoto de 1755. Uma distinção que, no mundo ocidental, além da capital portuguesa só tem a cidade italiana de Veneza.
 
O Sínodo Diocesano é um dos pontos altos das celebrações que se iniciam em outubro, com o Encontro dos Núcleos de Estudantes Católicos na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
 
O Sínodo, uma assembleia que reúne leigos, consagrados e religiosos, realiza-se de 30 de novembro a 04 de dezembro no Turcifal, nos arredores de Torres Vedras, "reflete uma caminhada iniciada há três anos" que contou com a participação de mais de mil grupos e 20.000 pessoas, disse o cardeal-patriarca.
 
Segundo números hoje revelados, participam na assembleia, à qual a comunicação social não terá acesso direto, o cardeal-patriarca, três bispos auxiliares, três vigários, 19 cónegos, 25 membros do Conselho Presbiteral, sete leigos escolhidos pelo Conselho Pastoral, 16 leigos em representação das vigararias e da Ação católica, dois elementos do secretariado do Conselho Diocesano do Apostolado dos leigos, 13 vigários forâneos, 15 superiores de institutos religiosos e sociedade de vida apostólica, e ainda quatro elementos da comissão preparatória, três diáconos permanentes e 16 "por escolha do patriarca", num total de 137 pessoas.
 
O último sínodo lisbonense realizou-se em 1640 sob a égide do arcebispo Rodrigo da Cunha.
 
A abertura oficial do Sínodo convocado por Manuel Clemente está prevista para a tarde do dia 27 de novembro na Sé de Lisboa, e a celebração do encerramento no dia 08 de dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos, numa cerimónia em que será divulgado o documento final da Assembleia, e serão realizadas ordenações, nomeadamente de diáconos.
 
O musical, "Partimos. Vamos. Somos.", tem direção musical de António Andrade Santos, texto do padre Hugo Gonçalves e encenação de Matilde Trocado.
 
"Partimos. Vamos. Somos." Estará em cena no Teatro Tivoli, em Lisboa, de 18 a 20 de novembro.
 
Ainda na área musical realiza-se nos dias 24 e 25 de novembro um concerto no Teatro Nacional de S. Carlos com um programa constituído por peças barrocas e clássicas de compositores portugueses do Seminário Musical da Patriarcal, criado em 1713 e que se manteve em funcionamento até cerca de 1830.
 
Quanto a publicações está prevista a edição, entre outros, do livro "Bispos e arcebispos de Lisboa", e "das mais importantes cartas pastorais dos patriarcas", que abordam questões que hoje debatemos, e outras de "grande interesse" para perceber a evoluir da igreja lisbonense, disse Manuel Clemente.
 
Em data a anunciar realizar-se-á no mosteiro de S. Vicente de Fora uma exposição.
 
Do plano de atividades celebrativas consta ainda, em janeiro próximo, a realização de um colóquio na Universidade Católica.
 
Os primeiros mártires católicos lisboetas foram Veríssimo, Máxima e Júlia, em finais do século III, venerados na igreja de Santos-o-Velho, e o primeiro bispo conhecido foi Potâmio, em meados do século IV, e que interveio nas polémicas doutrinais do cristianismo.