Patriarcado aconselha reforço de missas a 1 de novembro com suspensão do feriado

Patriarcado aconselha reforço de missas a 1 de novembro com suspensão do feriado

O Dia de Todos-os-Santos este ano, pela primeira vez, não corresponde a um feriado nacional, pelo que o Patriarcado de Lisboa (PL) aconselhou "aos párocos que garantissem horários da celebração da missa que possibilitem a participação de todos".

Em nota divulgada pelo PL, no seu sítio na Internet, a "suspensão" do feriado "afeta a celebração da Solenidade de Todos-os-Santos", mas salienta que, "mesmo quando caia em dia útil de trabalho, mantém-se o preceito festivo, segundo o elenco do cânone 1246".

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, realçou à Lusa que, "pela primeira vez, neste dia 01 de novembro, vamos ter um 'dia santo' que não coincide com um feriado nacional" mas, "para os católicos, continua a ser um 'dia de preceito', ou seja em que, na medida do possível, devem participar numa missa, continuando a ser um dia de trabalho, já que foi suprimido o feriado".

O responsável do departamento de Comunicação do PL, padre Nuno Rosário Fernandes, disse à Lusa que "foi solicitado às paróquias da Diocese de Lisboa que promovessem mais horários de celebração, em horários que facilitem a participação dos fiéis".

O sacerdote afirmou não ter dados disponíveis sobre "como cada paróquia se organizou", mas citou a sua paróquia, a de Benfica, onde "foi acrescentada uma missa vespertina, celebrada na véspera de dia 01 [de novembro], à noite, pelas 21:30, para que as pessoas que trabalham possam participar".

No Porto, os párocos da Diocese "não têm qualquer instrução especial" quanto aos serviços religiosos, disse à agência Lusa o porta-voz do paço episcopal, padre Américo Aguiar.

Tradicionalmente, a comunidade católica aproveitava o extinto feriado de Todos-os-Santos para homenagear os mortos, embora o Dia dos Fiéis Defuntos seja formalmente assinalado no dia 02, que este ano calha ao sábado.

"É natural que, face ao fim do feriado, muitos padres transfiram a cerimónia para o sábado. O problema vai-se levantar mais quando o 1.º de novembro calhar a meio da semana", acrescentou Américo Aguiar, informando que o administrador apostólico da Diocese, Pio Alves, preside a uma celebração no sábado, às 11:00, no Cemitério do Prado do Repouso, no Porto.

A Arquidiocese de Braga, por seu turno, considera a extinção do feriado de 01 de novembro como uma "oportunidade pastoral" para "superar os equívocos" provocados pelas transferências das celebrações litúrgicas do dia de Fiéis Defuntos para o dia de Todos os Santos.

"No primeiro fim de semana a seguir ao dia 02 de novembro, ou domingo coincidente com este dia, deve fazer-se a romagem ao cemitério", lê-se na nota do arcebispo Jorge Ortiga, publicitada no sítio de Internet da Arquidiocese.

"No caso de aí se celebrar eucaristia, deverão tomar como referência uma das três eucaristias previstas para o dia 02 de novembro, escolhendo a que mais se ajusta ao momento da celebração", recomenda o arcebispo Jorge Ortiga, na mesma nota.

O padre Morujão chama a atenção para o facto de, "no dia 02 de novembro, se fazer a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos,[e] as pessoas costumam visitar os cemitérios, onde foram sepultados os seus familiares e amigos, e participar em celebrações religiosas; sem o feriado do dia 01 de novembro, não será tão fácil cumprir esta devoção tão humana e tão cristã".

"Seja como for, já antes era costume, quando não se podia cumprir esta romagem de devoção, na data precisa, tal se fazia no fim de semana mais próximo", remata o porta-voz da CEP.

A tradição da celebração do Dia de Todos-os-Santos remonta ao século IV, quando se realizou pela primeira vez em Antioquia, tornando uma prática habitual dos cristãos no século seguinte, e atualmente é seguida pelas Igrejas Católica, Ortodoxa, Anglicana e Luterana.

No ano passado, o Governo anunciou que a suspensão de quatro feriados - dois religiosos e dois civios - manter-se-à até 2018. A suspensão dos feridos religiosos - do Corpo de Deus (feriado móvel celebrado 60 dias após a Páscoa) e do Dia de Todos-os-Santos, celebrado a 01 de novembro -, foi acordada entre o Governo português e a Santa Sé.

Os dois feriados civis suspensos foram o 05 de outubro (Implantação da República), e o 01 de dezembro (Restauração da Independência).