Parque das Nações 'só agora' está em condições de assegurar manutenção do espaço público

Parque das Nações 'só agora' está em condições de assegurar manutenção do espaço público
O presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, em Lisboa, disse segunda-feira à noite que a autarquia “só agora” está em condições de lançar concursos para a manutenção do espaço público, reivindicação feita pelos moradores.
 
“Nós só agora é que estamos em condições de lançar contratos que nos garantam um trabalho de qualidade ao nível da gestão urbana, até aqui isso não foi possível”, afirmou José Moreno, que falava na Assembleia de Freguesia que decorreu no auditório da escola básica Vasco da Gama, em Lisboa.
 
Em causa está a revisão à atribuição de recursos financeiros às Juntas de Freguesia de Lisboa, no âmbito da reorganização administrativa da cidade, publicada no início de agosto em Diário da República e que estipulou um acréscimo em 30% (para 3,3 milhões de euros) das verbas que o Parque das Nações receberá anualmente.
 
A manutenção do espaço público do Parque das Nações, zona reabilitada para a Expo’98, tem sido criticada por moradores que consideram que há problemas ao nível de arranjos de exteriores, sistemas de rega e iluminação, entre outros.
 
A freguesia é gerida, desde 2013, pelo grupo de cidadãos Parque das Nações Por Nós (PNPN), liderado por José Moreno. Em abril, o PNPN assinou um acordo de coligação com o PS.
 
Esta é a freguesia mais recente do país, que agrega áreas que pertenciam à freguesia dos Olivais (Lisboa) e ao concelho de Loures, criada na reforma administrativa.
 
Dos cerca de 50 residentes que hoje à noite assistiram à Assembleia de Freguesia, alguns intervieram manifestando o seu descontentamento pela degradação dos espaços verdes. Um deles foi Carlos Ardisson, que classificou esta situação como “crime ambiental” e “tragédia para o erário público”.
 
Já Rui Laginha criticou o dinheiro que a autarquia gasta com os serviços administrativos, estando-se “a criar uma superstrutura”, que hoje passou a contar com 1,3 milhões de euros (após a revisão orçamental aprovada por maioria).
 
Ricardo Sabrosa, outro morador, considerou que “a Junta está desorganizada, desorientada e sem vitalidade”.
 
Em resposta, José Moreno vincou: “Nós conhecemos muito bem a nossa freguesia e estamos a fazer aquilo que tem sido possível fazer até aqui. Muito se tem feito, contrariamente ao que se diz aqui, há muita coisa que está a aparecer no terreno e muitas mais coisas vão começar a surgir”.
 
A Assembleia de Freguesia do Parque das Nações aprovou, com o voto contra do PCP e abstenção do CDS-PP e PSD, a autorização para abertura de concursos públicos, com publicidade internacional, para a “aquisição de serviços de manutenção e conservação dos espaços verde, floreiras e árvores de arruamento sob gestão da freguesia” e de “serviços de limpeza urbana”.
 
No primeiro concurso, a verba disponibilizada é de cerca de 1,9 milhões de euros, enquanto no segundo concurso ascende aos 2,7 milhões de euros, ambas pelo período de três anos.
 
Para José Moreno, estes concursos são “determinantes para aumentar rapidamente a intervenção” da Junta de Freguesia, “que não tem sido feita por falta de recursos que só agora começam a chegar”.
 
De acordo com o “Diagnóstico Social do Parque das Nações”, duas das principais preocupações dos 2.229 fregueses inquiridos são a manutenção do espaço público (70,5%) e a limpeza urbana (32,2%).