Pais e antigas alunas protestam contra fecho do Instituto de Odivelas com cordão humano

Pais e antigas alunas protestam contra fecho do Instituto de Odivelas com cordão humano
Encarregados de Educação e antigas alunas do Instituto de Odivelas realizam no sábado um cordão humano em protesto contra o encerramento daquele estabelecimento escolar, devido à transferência para o Colégio Militar, em Lisboa.
 
O protesto, que conta também com o apoio da Câmara Municipal de Odivelas, tem início às 15:00 no Largo D. Dinis, onde está localizado o Mosteiro de São Dinis, que alberga o Instituto de Odivelas.
 
Em causa está um despacho do ministro da Defesa Nacional, de abril de 2013, que determinou a transformação do Colégio Militar num internato/externato com rapazes e raparigas e a consequente construção de infraestruturas de internato feminino, absorvendo as alunas do Instituto de Odivelas (IO).
 
A medida está ser contestada pelas associações de pais, das antigas alunas e pela Câmara de Odivelas, que alertam para a "falta de argumentos sólidos" para realizar a mudança.
 
O encerramento definitivo do IO está previsto para o ano letivo 2015/2016, mas até lá irão manter-se a estudar naquela instituição 70 alunas, a frequentar o 9.º e o 12.º ano.
 
Já para o Colégio Militar foram transferidas 82 alunas, que frequentam os restantes anos escolares.
 
De acordo com fonte da tutela, o Ministério da Defesa assegura o transporte daquele instituto para as aulas no Colégio Militar e depois o regresso, até que as instalações que o Governo mandou construir para receber as estudantes do sexo feminino estejam concluídas.
 
"Não compreendemos porque não existe nenhuma justificação lógica. Está-se a querer a querer encerrar uma instituição de ensino economicamente sustentável e a gastar-se imenso dinheiro com a alternativa", afirmou à agência Lusa a presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Instituto de Odivelas (APEEAIO), Carla Reis.
 
A responsável referiu que na sequência desta mudança para o Colégio Militar 130 alunas optaram por procurar outras instituições de ensino.
 
"Como prova esse número de desistências, o Colégio Militar não representa uma alternativa ao Instituto de Odivelas", argumentou.
 
A ideia é partilhada pela presidente da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, Joaquina Cadete, que acusa o Governo de se ter precipitado ao tomar esta medida.
 
"Esta decisão tinha de ser ponderada e tomada com tempo. Não existem evidências de que seja mais vantajoso economicamente fechar o Instituto de Odivelas. Está em causa um património educativo que tanto nos devia orgulhar", apontou.
 
Por seu turno, a presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Susana Amador (PS), afirma que o encerramento do IO é "injusto e incompreensível" e implica "apagar um elo de referência histórica do concelho”.
 
"Está-se a apagar da história um instituto que ultrapassou 114 anos de história e que conviveu com vários tipos de regime. Hoje todo o centro histórico de Odivelas vive em torno deste projeto e por isso iremos até ao fim fazer a sua defesa", sublinhou.