País de crianças de creche encerrada em Odivelas apelam à autarquia para encontrar uma solução

País de crianças de creche encerrada em Odivelas apelam à autarquia para encontrar uma solução
Os encarregados de educação de uma creche em Odivelas, que encerrou há mês, apelaram hoje na Assembleia Municipal local a uma solução definitiva para as quatro dezenas de crianças que ficaram sem escola.
 
O equipamento escolar, que funcionava no bairro da Urmeira, é gerido pela Associação Prosális, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), que decretou o seu encerramento definitivo no dia 17 de março passado, deixando 40 crianças sem aulas.
 
Esta tarde, em declarações à agência Lusa a presidente da Câmara de Odivelas, Susana Amador (PS), explicou que a autarquia tem procurado, juntamente com o Instituto de Segurança Social (ISS), uma solução para as crianças, mas que não foi possível encontrar uma alternativa para todos os casos.
 
O tema foi discutido hoje à noite na Assembleia Municipal de Odivelas, à qual assistiram cerca de duas dezenas de encarregados de educação, que manifestaram o seu desagrado pela ausência de alternativas ao problema.
 
Antes do início dos trabalhos, em declarações à agência Lusa, alguns encarregados de educação manifestaram a sua apreensão pelo encerramento do equipamento escolar e criticaram a Segurança Social pela falta de respostas.
 
“A mim, a Segurança Social disse-me que, como estava desempregada, podia ficar em casa a cuidar do meu filho. Explicaram que iam dar prioridade aos pais empregados. Já tive de recusar uma proposta de trabalho”, lamentou Soraia Costa, mãe de uma criança de quatro anos.
 
Outra encarregada de educação, que ainda aguarda uma resposta do ISS, contou que tem levado o filho para o trabalho, por não ter ninguém que possa tomar conta dele enquanto trabalha.
 
“A Segurança Social disse-me que o meu caso era prioritário, mas ainda não me deu uma resposta. A minha patroa tem permitido que leve o meu filho para o trabalho, mas isto não pode arrastar-se por mais tempo”, afirmou Marta Garcia.
 
Já Liberdade Moreno, optou por tirar férias para cuidar da sua filha, mas terá de regressar ao trabalho no início da próxima semana, mas ainda sem uma solução: “Ainda não sei o que vou fazer. Não tenho onde e com quem deixar a minha filha”, queixou-se.
 
As apreensões dos encarregados de educação foram transmitidas ao executivo municipal durante o período dedicado ao público,
 
“Ninguém nos ajuda. Parece que ninguém quer dar a cara. Viemos aqui para ver se alguém resolve o nosso problema”, afirmou o encarregado de educação Pedro Ferreira.
 
Em resposta aos pais, o vice presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, assegurou que a autarquia está a fazer tudo o que está ao seu alcance para solucionar o problema, ainda que não seja da sua competência.
 
“A Câmara não tem responsabilidade nem tutela sobre as IPSS, mas nunca se escondeu. Temos feito o que nos é possível para que seja encontrada uma solução célere”, afirmou.
 
Hugo Martins adiantou que o ISS atendeu 38 dos 40 casos, tendo reencaminhado já quatro crianças para duas creches do concelho.
 
A autarca disse ainda que o município conseguiu igualmente estabelecer um acordo com uma outra instituição do concelho para transferir até ao final do ano letivo 14 crianças do pré-escolar.
 
No entanto, ficam ainda por colocar vinte e duas crianças.
 
Numa resposta escrita envida à Lusa, a Segurança Social disse que estava a “encetar as diligências necessárias para que em breve as 40 crianças que frequentavam o equipamento escolar fossem integradas noutros equipamentos.
 
A Lusa tentou contactar a Associação Prosális, mas a chamada telefónica era sempre reencaminhada para o fax, situação que está a acontecer também com os pais que têm tentado ligar para a sede da IPSS, em Lisboa.