Organização S.O.S. Salvem o Surf contra obras em Ribeira d’Ilhas, na Ericeira

Organização S.O.S. Salvem o Surf contra obras em Ribeira d’Ilhas, na Ericeira

A associação S.O.S. Salvem o Surf, que em Portugal representa a organização mundial que atribuiu à Ericeira o estatuto de Reserva Mundial de Surf, contestou hoje as obras previstas no plano de pormenor para a praia de Ribeira d'Ilhas.

Pedro Bicudo, presidente da associação, afirmou à agência Lusa que "o plano de pormenor não é o melhor para o surf", por ter projectado para o local onde foi demolido o ‘surf camp' (alojamento para surfistas, com escola de aprendizagem de surf) um edifício que vai ter uma volumetria e um impacto visual maiores.

A intervenção levou, no final de Outubro, à demolição do antigo 'surf camp', que foi encerrado em Agosto pela câmara de Mafra, depois de tomar posse administrativa do terreno no âmbito de um processo de expropriação que desencadeou.

A associação considerou também que o plano de pormenor não defende a cultura do surf, porque a demolição do ‘surf camp', considerado uma "fonte de inspiração para o surf português", veio "enfraquecer a cultura do surf local", ao afastar da praia de Ribeira d'Ilhas surfistas e empresários do surf que frequentavam o local diariamente.

A organização que gere a atribuição do único estatuto em Portugal de Reserva Mundial de Surf, concedido em 2011, alertou para a necessidade de ser colocado em vigor o plano de gestão da reserva pelos respectivos guardiões, a Câmara de Mafra, o Ericeira Surf Clube e a Associação dos Amigos da Baía dos Coxos.

Para a S.O.S. Salvem o Surf, "a prática do surf e dos desportos de deslizamento nas ondas deveria ter sido considerada aquando da avaliação ambiental do plano", ao recordar que a indústria do turismo ligada ao surf "poderá trazer um enorme desenvolvimento sustentável à costa", atraindo turismo com "alto poder económico".

No final de Outubro, a autarquia iniciou a segunda fase das obras de requalificação da praia, uma das mais procuradas a nível mundial por surfistas.

As obras vão custar 2,3 milhões de euros, comparticipados em metade pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional e em 521 mil euros pelo Turismo de Portugal, cuja empreitada deverá terminar em maio de 2013.

A Câmara de Mafra aprovou interesse público para os terrenos no intuito de avançar com as obras de requalificação, previstas no Plano de Ordenamento da Orla Costeira, e veio a avançar com um processo de expropriação do terreno do ‘surf camp', que foi encerrado há três meses, obrigando os seus proprietários a desalojar hóspedes e retirar os bens e a avançar com ações em tribunal para impedir o processo e as obras.

O processo de expropriação levado a cabo pela autarquia surgiu de um diferendo entre câmara e proprietários, que discordaram do projecto de requalificação previsto para a praia e que queriam avançar com um outro projecto de construção de um novo ‘surf camp'.