Oposição na Câmara de Oeiras critica investimento no futuro edifício-sede da autarquia

Oposição na Câmara de Oeiras critica investimento no futuro edifício-sede da autarquia
Os vereadores do PS e da CDU na Câmara de Oeiras que rejeitaram a construção do Fórum Municipal em reunião de executivo mostraram-se "preocupados" com o elevado investimento do projeto, no valor de 35,5 milhões de euros.
 
O executivo liderado por Paulo Vistas, do movimento independente Isaltino Oeiras Mais À Frente (IOMAF), aprovou em reunião de câmara de quarta-feira, com apoio do PSD, a construção do Fórum Municipal, com 15 pisos, que vai permitir concentrar os principais serviços e órgãos políticos e administrativos da autarquia num único edifício-sede.
 
Num comunicado enviado hoje à Lusa, a vereadora socialista Alexandra Moura manifestou "enorme preocupação com a forma como os recursos de todos os oeirenses são usados num projeto onde existem várias perguntas sem resposta".
 
Alexandra Moura sublinha que "não é conhecido o projeto financeiro, nem o estudo de viabilidade económica que deveriam sustentar a proposta" e acrescenta que "não se conhece também o que pensa o executivo fazer para apoiar o comércio da zona histórica de onde saem os serviços e qual o futuro do Palácio Marquês de Pombal, que será desocupado".
 
A vereadora acusou o atual executivo de "falta de transparência e de seriedade política" e de impedir "um debate alargado e fundamentado".
 
"O Partido Socialista entende que, face aos constrangimentos económicos das instituições do concelho, este é o momento de criar mais condições de apoio social", acrescentou.
 
Tal como o PS, também a CDU votou contra o projeto e, na opinião do vereador comunista Daniel Branco, o investimento deveria ser desviado para outras prioridades.
 
"É muito dinheiro que se vai gastar. Quando se fala tanto em habitação jovem e há casas que podiam ser requalificadas para dar casa aos jovens, o dinheiro deveria ser aplicado nisso. Há uma série de outras prioridades", afirmou.
 
O vereador comunista mostrou-se ainda preocupado com a zona histórica de Oeiras que, com a desativação da câmara, "vai perder muita vida".
 
"É um erro grave retirar dali serviços. O centro histórico vai perder muito e não se sabe o que a câmara quer lá fazer", acrescentou.
 
O futuro edifício, da autoria do arquiteto Sua Kay, ficará localizado na zona de Cacilhas, perto da Rotunda da Fonte Luminosa, na União de Freguesias de Oeiras e de São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, numa área total de intervenção de 17.754 metros quadrados.
 
O Fórum Oeiras permitirá, segundo a proposta, obter "melhorias consideráveis nas condições do atendimento ao público e do funcionamento dos serviços", assim como a "redução dos seus custos operacionais", por permitir a poupança de tempo e menores custos de deslocações.
 
O projeto agora apresentado, refere a autarquia, "procurou respeitar a solução arquitetónica selecionada de modo a não a desvirtuar", sendo constituído por um único edifício de escritórios, com cerca de 64 metros de altura e 15 pisos acima do solo, mais dois pisos em cave, com capacidade para 467 lugares de estacionamento.
 
"Pretende-se que nos novos Paços do Concelho de Oeiras venham a ficar instalados todos os serviços municipais que dispõem de atendimento direto ao público, envolvendo no total mais de 760 postos de trabalho fixos para funcionários e colaboradores municipais, alojando igualmente outras funções centrais da Câmara - como o salão nobre dos Paços do Concelho - e ainda diversos equipamentos centrais de apoio (em especial o refeitório e a respetiva cozinha)", descreve a autarquia.
 
A estimativa de custo da obra é de 33,5 milhões de euros para a construção do edifício mais dois milhões de euros para a zona exterior.