Naturistas pedem intervenção das autoridades em casos de exibicionismo sexual

Naturistas pedem intervenção das autoridades em casos de exibicionismo sexual

A Federação Portuguesa de Naturismo (FPN) alertou para a existência de práticas de exibicionismo sexual fora das praias naturistas que acabam por ser confundidas e pediu maior intervenção das autoridades.
Paulo Garcia da FPN lembrou que, em muitas das praias oficiais naturistas, há falta de vigilância, não só policial, mas também marítima, existindo uma distância das zonas concessionadas, “o que dificulta ainda mais a sua segurança”.
“Pela negativa podemos ainda realçar a existência de prática de atividades que poderão constituir um ilícito criminal, devidamente reportadas pelo movimento naturista e que, até ao momento, não mereceram a devida atenção por parte das autoridades competentes”, indicou por escrito Paulo Garcia, referindo-se a comportamentos que se enquadram no artigo 170.º do Código Penal, relativo a “importunação sexual”.
Segundo aquele elemento da FPN, são situações “transversais a todo o tipo de praias, sejam naturistas, de uso e costume naturista ou têxteis (não naturistas)”, mas que requerem “uma maior vigilância das autoridades junto das praias de prática naturista”, lembrando, ainda, que o “nu em Portugal não é crime, mas atos exibicionistas ou sexuais poderão ser”.
Num tom mais positivo, Paulo Garcia constata um aumento do número de praticantes de nudismo e naturismo em Portugal nos últimos anos, “sendo esta realidade bastante visível nos jovens, nas praticantes femininas e nas famílias com crianças pequenas”.
No entanto, a falta de alojamentos e a sua distância das zonas de praia é um dos principais obstáculos ao crescimento do naturismo e ao aumento da procura por parte de estrangeiros.
Portugal conta com sete praias oficiais naturistas, todas a sul do Tejo, havendo, ainda, diversos parques de campismo ligados à prática como a Quinta do Marval, em Marvão, o primeiro detido por portugueses.
Por seu lado, Rui Fidalgo, presidente da direção-geral da FPN entre 2009 e 2011, afirma que, na última década, Portugal tem assistido ao nascer de espaços “como ‘guest-houses’”, mantendo-se no país os quatro parques de campismo naturistas que já existem.
Porém, não é só a crise o que trava o crescimento do naturismo em Portugal: “Os portugueses têm muitos complexos em relação ao corpo”, diz Fidalgo, encontrando vestígios de machismo no facto de “a grande maioria das mulheres naturistas” praticar o nudismo somente “em companhia dos seus maridos e mais raramente com outras mulheres”.
Andrea Woudenberg, que veio da Holanda abrir um parque de campismo naturista com a mulher em Vila do Bispo, declara que nunca encontrou pessoas a estranhar a prática naturista no seu espaço. Pelo contrário, "os habitantes da aldeia da Figueira estão na mesma praia dos naturistas com toda facilidade”, afirma.
De acordo com a Federação Naturista Internacional, o naturismo “é uma forma de viver em harmonia com a Natureza caracterizada pela prática da nudez coletiva”.