Não é moto nem é carro, é um Twizy

Não é moto nem é carro, é um Twizy

Renault inaugura novo conceito no sector auto com o eléctrico mais barato do mercado

Parece saído de um filme de ficção científica e deixa toda a gente boquiaberta à sua passagem. "É o carro do futuro!" exclamavam alguns dos turistas na Cidadela de Ibiza, comunidade autónoma das Ilhas Baleares onde decorreu a apresentação internacional do novo Renault Twizy. De facto, este quadriciclo de dois lugares, totalmente eléctrico, tem condições para despertar o interesse de toda a gente, dadas as suas características inovadoras.
Pode ser comparado aos populares "arrasa reformas" que circulam com frequência nas nossas estradas, até porque na versão menos potente (9 cv e 45 km/h de velocidade máxima) permite condução sem carta. Chega a ser parecido com um carrinho de golfe, pode ter a mobilidade de uma ‘scooter’ e não entra nos parâmetros de um carro a sério. Então o que é? "É um Twizy".
Isso mesmo, a marca francesa assume o modelo, já disponível para comercialização em Portugal, como revolucionário e a melhor solução para a mobilidade urbana. Com duas versões, de 9 e 17 cv, esta última com velocidade máxima de 80 km/h e dimensões ultracompactas (2,34 m de comprimento e 1,2 m de largura, a que corresponde um peso de 450 kg) é ideal para vencer o trânsito citadino e cabe em qualquer lugar.
O motor eléctrico, alimentado por baterias de iões de lítio, consegue um arranque dos zero ao 60 km/h em apenas seis segundos. A autonomia anunciada pode chegar até aos 100 km, dependendo do tipo de percurso (nas descidas e travagens há regeneração da carga) e do peso do pé no acelerador. Depois disso, em qualquer tomada eléctrica doméstica consegue-se novo carregamento, obrigando, contudo, a um tempo de espera de 3h30.
Na Cidadela de Ibiza, tivemos ocasião de testar, para além da mobilidade e do comportamento em estrada, uma outra faceta do novo modelo: a de se adaptar a circuitos turísticos, em zonas históricas ou parques naturais, devido à sua condição de veículo não poluente e silencioso.
Permite o transporte de duas pessoas (condutor e passageiro), com conforto mínimo, embora não tenha os acessórios e o equipamento dos carros a sério. Não há rádio ou sistema de climatização e até as portas (sem vidros na janela) são opcionais.
Também não tem ABS ou direcção assistida, mas o sistema de travagem está cargo de quatro discos. Mesmo sem estes itens, a condução do Twizy revela-se segura e, sobretudo, muito divertida.
O termo de comparação nunca deve ser o de um veículo convencional, mas sim o de uma moto. E aí, as vantagens de conduzir sobre quatro rodas, com célula de protecção, airbag e dois cintos de segurança, para além de toda uma estrutura capaz de absorver choques frontais, de traseira e laterais, levam vantagem em termos de segurança.
Pior só mesmo o preço, na casa dos 7000 euros, a que acresce o aluguer obrigatório das baterias (a partir de 50 euros/mês). Porém, feitas as contas (aluguer de baterias e carregamentos), com o Twizy podemos gastar em média apenas 88 cêntimos por cada 100 km. Dá que pensar, se levarmos em conta o exorbitante preço dos combustíveis em Portugal.
Paulo Parracho
 

Renault Twizy