Museu dos Coches abre com nova museografia que guarda "tesouro" nacional

Museu dos Coches abre com nova museografia que guarda "tesouro" nacional
O Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, que guarda um "tesouro" nacional, vai reabrir ao público no sábado, com a nova museografia, completando mais uma passo do projeto do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha.
 
A diretora do museu, Silvana Bessone, Paulo Mendes da Rocha, e o arquiteto Nuno Sampaio, autor da museografia, apresentaram aos jornalistas o novo projeto, que permite a proteção das viaturas antigas e a informação do público em quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês.
 
Encerrado desde 26 de abril para montagem da museografia, o Museu dos Coches vai ter inauguração oficial na sexta-feira, às 18:30, e no sábado - quando se celebra a Noite dos Museus -- e no domingo a entrada vai ser gratuita para o público.
 
Paulo Mendes da Rocha, prémio Pritzker 2006, comentou que, criar o projeto museográfico não foi fácil, pois o objetivo era dar uma imagem dinâmica de veículos que estão imobilizados no museu.
 
"O objetivo era criar um ambiente mágico que dê essa ideia de dinamismo, de movimento. Usámos muitas projeções de filme", observou o arquiteto brasileiro sobre o projeto de museografia do museu, que alberga a maior e mais importante coleção de coches do mundo.
 
Isolando as viaturas para sua proteção do contacto do visitante, foi criada uma estrutura com um perímetro que ao mesmo tempo serve de base de informação em texto e é interativa, com dados do coche, o contexto histórico e o ambiente da época, como explicou Nuno Sampaio aos jornalistas.
 
"Este museu oferece uma nova configuração do espaço urbano em Belém, o que é um grande valor do ponto de vista turístico e de memória histórica", sublinhou Paulo Mendes da Rocha sobre o edifício.
 
Questionado sobre a homenagem que vai receber hoje, pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, com a medalha de Mérito Cultural, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha disse: "é uma manifestação de amizade e de reciprocidade entre Brasil e Portugal. Somos um país só".
 
Por seu turno, a diretora do museu, Silvana Bessone, questionada sobre o facto de a instalação da museografia ter demorado dois anos - a abertura do novo edifício deu-se em 2015 - respondeu que "o projeto decorre por fases, e ainda não está concluído, terminando com a próxima fase, na inauguração, daqui a um ano, da passagem pedonal sobre a linha do comboio".
 
A responsável considerou que a museografia vai permitir atrair mais visitantes, com a instalação de equipamentos multimédia, que permitem mais acessibilidade à informação para vários públicos, incluindo crianças.
 
Indicou que são os franceses os turistas que mais procuram o museu - que possui 70 viaturas - depois espanhóis, ingleses, americanos e brasileiros.
 
Questionada pela agência Lusa sobre os números de visitantes dos museus nacionais divulgados na quarta-feira, que o Museu dos Coches lidera há vários anos, Silvana Bessone recordou que em 2016 o museu recebeu 592 mil visitantes, e os 150 mil registados no primeiro trimestre deste ano são "um prenúncio que deverá subir um pouco" no balanço do final de 2017.
 
Localizado na praça Afonso de Albuquerque, o museu reúne uma coleção de viaturas de gala e de passeio do século XVII ao século XIX, na sua maioria provenientes dos bens da coroa ou propriedade particular da Casa Real portuguesa.
 
Entre as peças encontra-se o "Coche dos Oceanos", que fez parte, em 1716, da embaixada enviada por D. João V ao papa Clemente XI.
 
O novo edifício é composto por dois edifícios com quatro pisos, duas salas de exposição permanente, uma sala de exposições temporárias, auditório, serviço educativo, as novas instalações possuem ainda um laboratório, oficinas, zonas técnicas e administrativas.
 
Ocupando 15.177 metros quadrados nos terrenos das antigas Oficinas Gerais do Exército, o projeto foi concebido em consórcio com os ateliês MMBB Arquitetos (Brasil), Bak Gordon Arquitetos e Nuno Sampaio Arquitetos (Portugal).
 
O projeto foi financiado com a execução das contrapartidas do Casino Lisboa, num investimento total de 39 milhões de euros.