Museu do Chiado quer divulgar 'grande diversidade' da fotografia do século XIX

Museu do Chiado quer divulgar 'grande diversidade' da fotografia do século XIX
O Museu do Chiado, em Lisboa, quer divulgar ao público "a grande diversidade" da fotografia portuguesa do século XIX, numa exposição com imagens inéditas de coleções públicas e privadas, dispersas pelo país.
 
Numa visita guiada, destinada a jornalistas, as comissárias da exposição "Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX", Emília Tavares e Margarida Medeiros, salientaram que um dos grandes objetivos deste projeto é "cativar o público para conhecer a fotografia que era feita em Portugal naquela época".
 
Emília Tavares indicou que, "apesar de existirem muitos estudos sobre a fotografia portuguesa nessa época, continuam nas academias, e não são publicados".
 
Esta exposição, fruto de um projeto de seis meses que continua em curso, reúne, pela primeira vez, fotografias de coleções públicas e privadas da História da Fotografia portuguesa, e ficará até 28 de junho no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC).
 
De acordo com as comissárias, grande parte das coleções de fotografia, reunidas nesta mostra, manteve-se inédita até agora.
 
Além de revelar obras e autores ao público, outro objetivo do projeto é fazer "um primeiro contributo para uma moderna historiografia da fotografia portuguesa".
 
Percorrendo o legado fotográfico produzido em Portugal, entre meados de 1840 e 1900, o projeto pretende "entender como se elaborou esta nova cultura visual no país, contribuindo para a compreensão de uma sociedade em profunda transformação", segundo as curadoras.
 
De acordo com Emília Tavares, a fotografia portuguesa do século XIX começou por ser científica, criada por físicos, médicos, químicos e matemáticos, que chegaram a participar em exposições internacionais.
 
"Depois, a fotografia tomou uma grande diversidade de temáticas e de géneros, e tem de ser entendida no contexto social, político e antropológico da época", sublinhou.
 
Na exposição surgem paisagens urbanas, retratos, paisagens panorâmicas, teatro, fotomontagem. As imagens surgem ainda como valor identificativo, como nos casos dos bebés abandonadas na Roda dos Expostos, que ficavam ao cuidado de instituições de caridade.
 
"Os bebés eram abandonados com cartas, amuletos ou fotografias dos pais", indicou a comissária.
 
Há imagens raras, como uma das primeiras fotos criadas em Portugal, de Wenceslau Cifka, de 1849, de uma vista para o Castelo de Sintra, ou uma foto dos "Vencidos da Vida", captada por Augusto Bobone, em 1889.
 
Outra foto inédita, proveniente de uma coleção particular, de um autor desconhecido, mostra o escritor Alexandre Herculano e foi captada em Vale de Lobos, Santarém, entre 1857 e 1870.
 
A dado momento começam a surgir fotografias de património e de acontecimentos públicos que são alvo de notícia, como o casamento de D. Luís I, em 1862, em Lisboa, ou da inauguração do Monumentos dos Restauradores, por D. Luís I, em 1886, captada por Francisco Roechini (1822-1895).
 
Questionada pela agência Lusa sobre se ainda estão por descobrir os autores de muitas fotografias, Emília Tavares indicou que, "ainda há bastantes autores desconhecidos, até porque existem várias coleções privadas e públicas, como a da Sociedade Portuguesa de Geografia, que se mantém fechada aos investigadores".
 
Devido à vastidão do conjunto, o projeto foi desdobrado em duas exposições: a primeira será inaugurada hoje, às 19:00, no Museu do Chiado, em Lisboa; a segunda ficará patente na Galeria Municipal Almeida Garrett, no Porto, de 30 de maio a 16 de agosto deste ano, em parceria com a Câmara Municipal.