Morreu Fernando Relvas: Velório nos Paços do Concelho da Amadora na quinta-feira

Morreu Fernando Relvas: Velório nos Paços do Concelho da Amadora na quinta-feira
O corpo do autor de banda desenhada (BD) Fernando Relvas, que morreu hoje de madrugada, vai estar em câmara ardente nos Paços do Concelho da Amadora, a partir de quinta-feira, informou hoje a autarquia.
 
"A Câmara não podia deixar de se associar às cerimónias fúnebres", explicou o vereador da autarquia Agostinho Marques, considerando Fernando Relvas, que viveu grande parte da sua vida na Amadora, "um dos autores maiores da nona arte" em Portugal, um "irreverente" que quis "sempre procurar novos caminhos".
 
Agostinho Marques enalteceu também o "grande carinho" que a cidade tinha pelo autor, tendo acolhido e promovido várias exposições suas no concelho, a última, entre janeiro e abril, numa retrospetiva em torno da obra do artista.
 
A própria autarquia adquiriu "várias pranchas originais" de Fernando Relvas, num gesto que enriqueceu o espólio da Bedeteca da Amadora, mas que também serviu como "homenagem a esse grande autor, um nome cimeiro da banda desenhada do país", contou à agência Lusa o vereador.
 
Agostinho Marques lembrou ainda a atitude "proativa" de Fernando Relvas, que sempre se atualizou e que "nunca estava satisfeito".
 
"Tive a oportunidade de estar com ele na retrospetiva, e ele transmitia a vontade de fazer novas exposições", disse o vereador, elogiando o percurso do artista, marcado por uma "atividade prolífica".
 
Fernando Relvas, de 63 anos, morreu no Hospital Amadora-Sintra.
 
Fernando Relvas, que nasceu em Lisboa, em 1954, começou a publicar os primeiros trabalhos aos 20 anos, em meados da década de 1970, somando colaborações em várias publicações da imprensa portuguesa, nomeadamente as revistas Fungagá da Bicharada, Tintin e Mundo de Aventuras, o semanário Se7e, a revista Sábado e o Diário de Notícias.
 
Mais recentemente utilizava os recursos da Internet, como os blogues, para divulgar o trabalho visual.
 
Algumas das histórias e pranchas publicadas na imprensa foram depois reunidas em álbum, como "Karlos Starkiller", "Çufo", "Em desgraça", "As aventuras do Pirilau: O nosso primo em Bruxelas" e "L123 seguido de Cevadilha Speed".
 
Mais recentemente, saiu o álbum "Sangue Violeta e outros contos", que reúne as histórias "Sangue Violeta", "Taxi Driver" e "Sabina", publicadas no Se7e, premiado como clássico da Nona Arte no Festival de BD da Amadora.
 
Para o diretor do Amadora BD, Nelson Dona, "faleceu um dos autores-chave da BD contemporânea portuguesa, que trabalhou em todo o tipo de BD com registos gráficos brilhantes muito diferentes, e também em narrativas diferentes, da infantil até à só para adultos".