Moradores queixam-se da 'proliferação selvática' de esplanadas na Baixa Pombalina

Moradores queixam-se da 'proliferação selvática' de esplanadas na Baixa Pombalina
Os moradores da baixa pombalina e do centro histórico de Lisboa queixaram-se hoje do ruído e insegurança causados pela "proliferação selvática" de esplanadas, exigindo que a requalificação destes equipamentos no espaço público conserve a identidade da capital.
   
No âmbito de um debate sobre a regulamentação de esplanadas, promovido pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, que decorreu no auditório do Museu do Design e da Moda (MUDE), onde estiveram presentes cerca de 30 pessoas, os moradores alertaram para a ocupação "abusiva" do espaço público pelas esplanadas, defendendo que é consequência do "boom" turístico.
 
"Nos últimos anos, -- não tenho nada contra as esplanadas - tenho visto as esplanadas a proliferarem de uma forma quase selvática", afirmou a moradora Helena, considerando-se "um animal em vias de extinção" por morar desde nascença na rua Augusta, uma das mais movimentadas artérias da cidade de Lisboa.
 
A moradora alertou para a dificuldade dos bombeiros e viaturas de emergência socorrem em caso de urgência, devido à ocupação "abusiva" do espaço público pelas esplanadas.
 
Outros dos problemas apontados pelos moradores é o ruído das esplanadas, queixando-se do horário praticado e sugerindo que as esplanadas sejam recolhidas mais cedo que o encerramento do estabelecimento comercial.
 
A viver há 65 anos na rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, Vítor Nunes alertou para o "número ilegal de mesas e de cadeiras" a ocupar o espaço público, defendendo que deve existir "uma fiscalização rigorosa" às esplanadas, bem como a revisão dos licenciamentos e dos horários de funcionamento.
 
"Apesar de nos encontramos na Baixa de Lisboa, este aspeto positivo é largamente suplantado pelos aspetos negativos", criticou o morador, referindo que há casos em que "a sala do restaurante comporta menos mesas que a esplanada".
 
Morador na rua da Madalena, o jovem Pedro disse que "o turismo está a destruir completamente a Baixa e a identidade da Baixa de Lisboa", explicando que houve um regresso das pessoas a vir viver para o centro histórico, mas que agora pensam em ir embora.
 
Sobre a requalificação, os moradores frisaram que não querem "esplanadas gourmets".
 
O presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), ouviu as reclamações dos moradores e afirmou que "não se pode matar a galinha de ovos de ouro", referindo-se à identidade característica desta zona da capital que será tida em conta na requalificação das esplanadas.
O autarca admitiu que têm surgido "esplanadas como cogumelos, nos sítios mais improváveis", devido a lei do licenciamento zero, explicando que é "absolutamente contra" esta lei que prejudica o centro histórico de Lisboa.
 
Miguel Coelho assegurou que as esplanadas não põem em causa a segurança da população em caso de urgência, referindo ainda que a Junta tem feito fiscalização.
 
Em dezembro de 2015, a Câmara de Lisboa assinou um protocolo com a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior com vista à requalificação das esplanadas da baixa pombalina e do centro histórico da capital.
 
O protocolo celebrado funciona através de um convite "a entidades credenciadas" para apresentarem propostas de dinamização dos espaços exteriores de estabelecimentos da baixa pombalina, que devem ser entregues até 31 de março para que o júri tome uma decisão até 30 de abril.