Moradores podem voltar aos prédios atingidos por derrocada

Moradores podem voltar aos prédios atingidos por derrocada
As famílias desalojadas dos edifícios atingidos por uma derrocada, na passada noite, no Cacém, podem voltar em segurança às suas casas, à excepção dos que habitam nos pisos inferiores dos números 10 e 12 da Rua de São Tomé e Príncipe, revela uma nota de imprensa da Câmara de Sintra. Após uma vistoria realizada esta manhã, os técnicos da Protecção Civil de Sintra concluiram que os edifícios afectados "não foram afetados na sua estrutura".
 
"No mais curto período de tempo vão iniciar-se os trabalhos de limpeza do local, seguindo-se o estudo das obras de estrutura a efetuar no muro de suporte, respetiva calendarização e cálculo do custo da intervenção", conclui a mesma nota.
Entretanto, opresidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, admitiu hoje que a autarquia pode assumir a reparação "de emergência" do muro que ruiu parcialmente, ameaçando três prédios, mas imputando depois os custos aos proprietários.
 
"É evidente que se o muro for privado, a lei obriga-nos em estado de emergência a fazer as obras, mas depois têm de ser pagas pelo proprietário privado", afirmou o presidente da autarquia, após visitar os prédios afetados pela queda parcial de um muro, que levou a desalojar 22 famílias.
Na quinta-feira, as autoridades evacuaram por precaução os n.º 12, 10 e parte do n.º 8 da Rua de São Tomé e Príncipe, no Cacém, no concelho de Sintra, quando o muro ameaçava ruir, o que acabou por acontecer já depois da meia-noite, segundo contaram à Lusa moradores na zona.
 
"A minha gata ficou muito séria a olhar para a janela e a seguir ouviu-se um estrondo", contou Anabela Gonçalves, 51 anos, residente num terceiro andar do n.º 10, quando pelas 20:15 se registou uma pequena derrocada, que levou à evacuação dos três edifícios.
 
Maria do Céu, de 53 anos, residente no 3.º andar do prédio n.º 12, disse à Lusa que ouviu "um estrondo muito grande e o prédio deu todo de si".
 
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém, "já passava da meia-noite quando ocorreu a segunda derrocada", com a queda de parte do muro para os quintais nas traseiras dos prédios.
 
"As pedras partiram a parede e a marquise, na zona da cozinha", descreveu Maria Amália, residente no primeiro andar do n.º 12, o edifício mais afetado pela derrocada do muro e de terras do terreno situado atrás dos prédios.
 
Maria Amália explicou que, em agosto de 2011, a Câmara de Sintra notificou o condomínio para o risco de derrocada do muro, mas os moradores responderam à autarquia que "a responsabilidade pela reparação era do proprietário do terreno".
 
"Os proprietários já tinham sido notificados em 2011 que o muro estava a necessitar de reparação e a verdade é que não foi feito nada", confirmou o presidente da autarquia, reconhecendo que "as obras vão ser muito complexas".
 
Basílio Horta acrescentou que, em princípio, "o prédio não foi afetado na estrutura" e que uma parte dos moradores poderão voltar às suas habitações assim que se comprovar "que não existe qualquer risco".
 
Técnicos da autarquia e bombeiros avaliaram esta manhã os danos provocados pela queda do muro, admitindo-se que algumas pessoas possam voltar ao seu alojamento durante a tarde de hoje, informou a diretora da Proteção Civil Municipal de Sintra, Ana Queiroz do Vale.
 
Das 22 famílias desalojadas, oito foram realojadas com o apoio da Câmara de Sintra e da Segurança Social.
 
A autarquia contabilizou inicialmente a necessidade de realojar 20 pessoas, mas apenas acabaram por ser encaminhadas 14 para o Centro de Emergência da Idanha, em Belas.
 
A diretora da Proteção Civil explicou que a câmara vai continuar a apoiar as pessoas que precisarem de realojamento, no centro de emergência das Irmãs Hospitaleiras, em Belas, ou através de "outras soluções mais duradouras", nomeadamente em fogos de habitação social.