Moradores exigem suspensão de requalificação do eixo central de Lisboa

Moradores exigem suspensão de requalificação do eixo central de Lisboa
Moradores da freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa, decidiram esta segunda-feira, em plenário, que vão exigir a suspensão do processo de requalificação do eixo central entre Marquês de Pombal e Campo Pequeno, até que possam ser ouvidos pela autarquia.
  
Organizado pela Associação de Moradores das Avenidas Novas de Lisboa em conjunto com a Associação de Moradores da Praça de Entrecampos (AMPRE), o plenário reuniu mais de 50 moradores, que manifestaram indignação e preocupação pela falta de informação por parte da Câmara Municipal de Lisboa, relativa à obra prevista para o eixo central de Lisboa.
 
Os moradores dizem desconhecer os efeitos, as causas e as consequências desta intervenção, pelo que "exigem a suspensão do processo até que possam ser ouvidos".
 
Apesar de não conhecerem o projeto de requalificação do eixo central da capital, os moradores temem pela redução de estacionamento, sugerindo que os lugares existentes passem a ser só destinados a residentes.
 
"Ouve-se falar na diminuição das faixas [de trânsito], mas concretamente do projeto nada conhecemos, não temos informação, nada decidimos", afirmou o presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas, José Soares.
 
Os moradores comparam este projeto de requalificação do eixo central de Lisboa à intervenção que foi feita na Avenida da Liberdade, considerando ser "uma catástrofe" em termos de alterações de trânsito.
 
A Associação de Moradores das Avenidas Novas vai convocar um novo plenário, dia 06 de outubro, "para ouvir, pela primeira vez, uma apresentação pública do projeto por parte da Câmara Municipal de Lisboa", em serão convidados a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta, o presidente da Câmara, Fernando Medina, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, os presidentes das Juntas de Freguesia das Avenidas Novas e Arreeiro e os representantes de todos os partidos políticos na Câmara, Assembleia e Juntas de Freguesia.
 
Presente no plenário, o vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, considerou que este projeto "é uma artimanha política", defendendo que uma obra com estas dimensões devia obrigar a um debate público alargado a toda a cidade.
 
No início de setembro, a Câmara aprovou a contratação de uma empreitada pelo valor máximo de 9,4 milhões de euros (11,5 milhões incluindo o Imposto sobre o Valor Acrescentando -- IVA) para iniciar a requalificação do eixo entre Picoas e o Saldanha, que assenta em mais espaços verdes com bancos e passeios mais largos.
 
Na altura, o vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, criticou o facto de os munícipes não terem sido ouvidos, adiantando que a empreitada "vai colocar enormes problemas de congestionamento e terá um enorme impacto no trânsito", razões pelas quais votou contra.
 
De acordo com o centrista, está em causa uma redução de 140 lugares de estacionamento na Avenida da República e no Saldanha, bem como a eliminação de faixas laterais nas avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, para darem lugar a ciclovias e a passeios mais alargados.
 
A proposta assinada pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, indica que o objetivo da requalificação é "potenciar e fomentar o crescimento de uma grande centralidade" através da articulação de "todos os diferentes sistemas urbanos", como a rede viária, ciclável e pedonal, e do aumento das "zonas de estadia".
 
A intervenção prevê também o "acréscimo de espaço público pedonal e a dinamização do comércio".
 
Além disso, vai ser criada uma praça em Picoas, que estará interligada com a Praça Duque de Saldanha.