Moradores e comerciantes contra depósito de combustível junto à estação de Agualva-Cacém

Moradores e comerciantes contra depósito de combustível junto à estação de Agualva-Cacém

 

Moradores e comerciantes do Largo da Estação de Agualva-Cacém, Sintra, temem que a instalação de um depósito de combustível à superfície ponha em causa a segurança do local e contestam atrasos de 15 meses das obras.
No local é visível a futura estrutura do depósito que se encontra separada por uma pequena estrada de um prédio e de várias lojas.
Mónica Guedes mora no Largo da Estação há 18 anos e considera que a instalação à superfície de um depósito para abastecer um gerador de emergências da estação ferroviária vai perturbar a vida de quem mora no local e pode "trazer problemas de segurança".
"Estamos bastante preocupados. Isto vai fazer muito barulho durante a noite. É uma bomba relógio que estão a pôr às nossas portas", disse a moradora à agência Lusa.
Para o proprietário de um talho, Pedro Santos, "não faz sentido instalar um gerador à superfície" quando a nova estação tem uma zona subterrânea onde poderia ser colocado.
"Pode haver aqui um ato de vandalismo e provocar um acidente. Com tanto espaço aberto podiam pôr o depósito noutro local", afirmou.
Este comerciante lamentou ainda "as obras intermináveis" de renovação da estação que "nunca mais acabam" e que estão atualmente com um atraso de 15 meses, uma vez que a data de conclusão estava prevista para agosto de 2011.
"Toda esta zona esteve com o acesso interditado. Durante todo este tempo tive quebras de faturação na ordem dos 60 por cento e tive uma loja por alugar durante dois anos", disse. 
Para David Gomes, proprietário de uma clínica dentária que ficará a menos de cinco metros do depósito, os moradores e comerciantes receiam que esteja a ser instalada "uma bomba relógio" junto aos prédios.
Este empresário é, para já, o único da zona que moveu um processo judicial contra a REFER a exigir ser ressarcido pelo prejuízo de "70 por cento da faturação" decorrente dos "sucessivos" atrasos das obras.
"Foram prejuízos de milhares de euros por dois anos de obras e mais estes quinze meses de atrasos com que já vamos. A rua esteve fechada e não circulava aqui ninguém. Tinha doze funcionários e agora tenho quatro", sustentou.
Em resposta à agência Lusa, a REFER adianta que o depósito com capacidade para três mil litros de combustível "não representa qualquer risco para as populações e tem como propósito alimentar o gerador que permitirá garantir fonte energética alternativa caso o abastecimento público seja interrompido".
A empresa pública adianta que a instalação naquele local e à superfície se deve ao facto de "o terminal rodoviário se desenvolver em túnel, inviabilizando a hipótese de enterramento".
Quanto aos atrasos nas obras, a REFER justifica que estão relacionados "com dificuldades de operação do empreiteiro" da obra, e prevê que todos os trabalhos fiquem concluídos no primeiro trimestre de 2013.