Monte Abraão ajuda famílias carenciadas na compra de medicamentos

Monte Abraão ajuda famílias carenciadas na compra de medicamentos
A Junta de Freguesia de Monte Abraão, Sintra, lançou o cartão "Farmácia Solidária", que oferece 15% de desconto às famílias carenciadas na aquisição de medicamentos, para fazer face ao aumento dos pedidos de ajuda de idosos.
Esta é uma iniciativa da área psicossocial da junta que estabelece um desconto numa das farmácias da freguesia a pessoas que apresentem prescrição médica e que se encontrem em situações de carência.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da junta, Fátima Campos, disse que este é mais um programa criado pela autarquia para fazer face ao aumento de pedidos de ajuda, sobretudo de idosos que deixaram de conseguir pagar medicamentos.
"Ajudamos também a pagar alguns exames médicos, daqueles mais caros, porque há pessoas que não conseguem mesmo pagar. Hoje em dia têm sido muitos os pedidos de ajuda, antes eram uns seis por mês e agora são seis por dia", disse.
Segundo Fátima Campos, caso não fossem as ajudas da junta, muitos idosos não podiam comprar medicamentos.
"Temos aqui dezenas de pessoas com pequenas reformas que, para conseguirem comer, cortam na medicação. Apareceu-nos recentemente aqui uma idosa que partilhava a medicação com a vizinha. Num dia tomava uma, no outro dia tomava a outra. Isso chocou-me muito", afirmou.
De acordo com a autarca, outro dos problemas sociais que têm atingido esta freguesia prende-se com o "elevado número de despejos" que, adiantou, são "quase diários" e para os quais a junta não tem solução.
"Muitas famílias estão a perder as suas casas. Está a aumentar a olhos vistos. Aqui o drama é que não temos casas para dar e encaminhamos esses casos para a Câmara Municipal que também já não tem assim tantas casas", disse.
Fátima Campos adiantou que "até ao momento não há sem-abrigo" em Monte Abraão mas que, face aos sucessivos despejos, essa pode ser uma realidade a curto prazo.
"Muitos casos são de famílias que trabalhavam, que viviam bem, que ficaram no desemprego e que entretanto foram despejadas das suas casas. É dramático. Chegam-me aqui casos desses quase todos os dias", adiantou.