Mondelèz suspende fecho de fábrica em Mem Martins para avaliar venda da unidade

Mondelèz suspende fecho de fábrica em Mem Martins para avaliar venda da unidade
A empresa Mondelèz anunciou hoje que vai suspender o processo de encerramento da sua fábrica de bolachas em Mem Martins, concelho de Sintra, para analisar "diversas manifestações de interesse sobre uma potencial aquisição" da unidade.
 
A Mondelèz Internacional propôs na quarta-feira, à comissão de trabalhadores da unidade de Mem Martins, "adiar durante quatro semanas o processo de consulta, que decorre no âmbito do anúncio do encerramento da fábrica, previsto para o próximo mês de setembro", anunciou hoje a empresa, em comunicado enviado à Lusa.
 
"Nas últimas semanas, a empresa recebeu diversas manifestações de interesse sobre uma potencial aquisição da fábrica", acrescenta a nota da multinacional, que é dona das marcas Triunfo e Proalimentar e detentora das bolachas Oreo e dos chocolates Cadbury.
 
A empresa esclarece que "vai analisar estas manifestações de interesse e manter conversações com as potenciais partes interessadas, de modo a determinar se poderão dar origem a uma proposta de aquisição que possa minimizar o impacto do anúncio do encerramento".
 
A Mondelèz adianta que, durante este processo, prosseguirá "em contacto com os sindicatos sobre eventuais novidades que possam surgir", assumindo que "mantém o seu forte compromisso com Portugal e reforça a ambição de continuar a ser líder de vendas no país".
 
A Mondelèz Portugal possui atualmente mais de 120 colaboradores, para além da fábrica de Mem Martins.
 
A empresa anunciou, a 02 de novembro de 2015, o encerramento da fábrica de bolachas em Mem Martins, no terceiro trimestre de 2016, transferindo a produção para a República Checa, o que levou ao despedimento de uma centena de trabalhadores.
 
"Há uma janela de esperança", admitiu hoje à Lusa o coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (Sintab), Fernando Rodrigues.
 
O sindicalista confirmou que foi informado da "suspensão das negociações" pela empresa, de forma a tentar encontrar uma solução que viabilize a unidade, mas escusou-se a mais comentários para "não prejudicar" o processo.
 
A multinacional justificou anteriormente que "investiu mais de quatro milhões de euros na fábrica de Mem Martins nos últimos três anos", com o objetivo de aumentar a competitividade, mas que, apesar dos esforços, a unidade "não apresenta condições para atualizar nem expandir a linha de produção".
 
A multinacional que sucedeu à Kraft Foods explicou na altura que "a maioria da produção da fábrica portuguesa vai ser transferida para a fábrica de Opava na República Checa" e que iria oferecer serviços de 'outplacement' aos trabalhadores, dos quais 97 são permanentes.